MINAS GERAIS — Minas Gerais abriu 10.035 postos de trabalho com carteira assinada em agosto, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta terça-feira (29/9). De janeiro a agosto, o estado acumulou saldo positivo de 123.176 vagas e ficou atrás apenas de São Paulo, que registrou 306.883 postos no período.
O resultado de agosto foi 726% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Naquele ano, Minas Gerais havia criado 1.214 vagas, contra 10.035 em 2026.
Serviços lideram contratações
O setor de serviços teve o maior saldo positivo do mês: foram 105.078 admissões e 95.179 demissões, com resultado de 9.899 vagas. A construção civil apareceu em seguida, com 3.789 postos. Também registraram saldo positivo o comércio, com 2.129, e a indústria, com 1.586.
A agropecuária foi o único segmento produtivo com saldo negativo. O setor teve 15.252 admissões e 22.592 demissões, resultando em perda de 7.340 postos de trabalho. O desempenho foi relacionado ao encerramento do período de colheitas das safras em várias regiões de Minas Gerais.
Ritmo pode diminuir
Apesar do saldo positivo no mês e no acumulado de 2026, a velocidade de abertura de vagas pode cair. O economista Paulo Casaca, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), afirmou que a redução do ritmo ocorre em todo o país e está ligada à menor disponibilidade de pessoas desocupadas em busca de trabalho.
“Já não há muito espaço para o avanço na criação de empregos”, disse Casaca. Para Leonardo Baldez Augusto, economista e fundador do Grupo ISF Soluções Financeiras, juros elevados também fazem empresas avaliarem com mais cautela a ampliação de estruturas, novas contratações e custos fixos.
Baldez Augusto avaliou que agosto teve reação em comparação com julho, embora o acumulado do ano indique uma velocidade menor. Ele também destacou que o peso da agropecuária pode influenciar os resultados mensais, especialmente quando terminam os ciclos de colheita.
Expectativa para o fim do ano
A chegada do último trimestre pode ampliar as contratações em Minas Gerais e no Brasil. Comércio, serviços, logística e transporte costumam reforçar as equipes para a Black Friday, o Natal e o período de maior circulação de dinheiro associado ao pagamento do 13º salário.
A indústria já iniciou parte das contratações voltadas à produção de fim de ano. A partir de outubro, comércio e serviços tendem a buscar trabalhadores para a demanda sazonal. De acordo com Paulo Casaca, esse movimento costuma ser revertido no começo do ano seguinte, com o encerramento de contratos temporários.



