A Ponte Rio-Niterói será um dos trechos usados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para testar um sistema que calcula a velocidade média dos veículos durante o percurso. Nesta etapa, o monitoramento será experimental e não poderá gerar multas ou registro de infrações com base nesse cálculo.
O sistema funciona com equipamentos instalados em dois ou mais pontos. Como a distância entre eles é conhecida, a tecnologia registra o tempo levado pelo mesmo veículo para completar o trecho e calcula a velocidade média. A proposta é diferente dos radares convencionais, que medem a velocidade em um ponto específico.
Com esse modelo, reduzir a velocidade apenas antes de passar pelo radar pode não ser suficiente para manter a média dentro do limite permitido. Ainda assim, os equipamentos convencionais e outras formas de fiscalização continuarão funcionando. Infrações registradas por esses meios poderão resultar em multa conforme as regras atuais.
Trechos autorizados no Rio de Janeiro
Além da Ponte Rio-Niterói, os testes ocorrerão em quatro trechos de rodovias federais concedidas no estado do Rio de Janeiro. Na BR-101, haverá pontos entre Itaboraí e São Gonçalo, nos sentidos Norte e Sul. Na BR-116, o monitoramento será realizado em Nova Iguaçu e Teresópolis.
Na Ponte Rio-Niterói, o trecho autorizado fica entre o km 323,7 e o km 332,72, no sentido Norte, com 9,02 quilômetros. A decisão da ANTT não informa a quantidade de equipamentos nem os pontos exatos de entrada e saída do sistema.
A concessionária deverá sinalizar o trecho e avisar os motoristas sobre o experimento. Também terá de enviar relatórios mensais à agência, que avaliará a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos motoristas e o desempenho operacional da tecnologia.
Duração e possibilidade de uso futuro
O período previsto para o teste é de 180 dias, com possibilidade de prorrogação ou encerramento antecipado. Na Ponte Rio-Niterói, a contagem começará quando o sistema for instalado e a coleta de dados tiver início. A ANTT ainda não estabeleceu uma data exata para o começo do monitoramento.
Uma eventual adoção do radar de velocidade média como instrumento de fiscalização dependerá de etapas posteriores. O objetivo atual é avaliar a tecnologia para possível uso em rodovias federais concedidas.
Os testes também poderão ocorrer no Espírito Santo, em Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Paraná, foram citados trechos das rodovias PR-444, PR-862, BR-376/PR, BR-163/PR, BR-277/PR e PR-151.
A tecnologia já foi usada em ações de segurança viária. Segundo Bruno Araújo Silva, gerente de operações da Eco050 e da Ecovias do Cerrado, o radar de velocidade média é empregado em campanhas na BR-050. A concessionária informou que os flagrantes caíram 22,5% na comparação entre 15 dias antes e 15 dias depois de uma blitz educativa realizada com a Polícia Rodoviária Federal.



