Curitiba, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Curitiba 13°C 11° / 14° Mega-Sena 3064: 4 · 10 · 20 · 25 · 27 · 48
O que acontece aqui, primeiro
Política

Relatório da Abin aponta sanções e pressão dos EUA como risco às eleições de 2026

Documento enviado ao governo e ao TSE relaciona medidas contra brasileiros à possibilidade de interferência externa no processo eleitoral.

Relatório da Abin aponta sanções e pressão dos EUA como risco às eleições de 2026

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) relaciona sanções dos Estados Unidos contra brasileiros e empresas sediadas no Brasil a uma possível interferência externa nas eleições de 2026. O documento foi encaminhado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto.

A análise afirma que a pressão americana sobre o Brasil tende a aumentar e identifica uma reconfiguração das ações dos EUA, sem rompimento com um padrão de influência que já existia. A Abin classifica a possibilidade de influência e interferência externa nas eleições como estando em um nível de criticidade.

Entre os episódios citados está o anúncio, em julho, de sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma em Portugal. As medidas foram relacionadas a supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC. Para a agência, o episódio marcou uma mudança de fase na escalada de sanções e interferência americana.

Segundo o relatório, a pressão passou a atingir diretamente pessoas e empresas brasileiras, com possíveis efeitos sobre relações financeiras, reputação empresarial, acesso ao dólar, operações internacionais e exposição a sanções secundárias. A Abin também afirma que bancos, fintechs, empresas, prestadores de serviços e cadeias produtivas brasileiras podem sofrer efeitos extraterritoriais.

A agência avalia que as medidas podem levar agentes econômicos brasileiros e estrangeiros a adotar condutas preventivas por causa de riscos reputacionais, do acesso ao sistema financeiro americano ou do receio de novas sanções.

Governo Trump e América Latina

A Abin afirma que a reafirmação da hegemonia dos Estados Unidos na América Latina é uma prioridade do segundo governo de Donald Trump. Documentos estratégicos divulgados entre novembro de 2025 e maio de 2026 são citados como base para a avaliação de que o governo americano busca reduzir a influência de potências rivais e ampliar seu controle, direto ou indireto, sobre ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região.

O relatório considera que o Brasil se diferencia por ter um governo com maior disposição política e meios para defender sua autonomia estratégica diante de pressões por concessões e realinhamento geopolítico. A Abin diz que o país passou a ser alvo de pressões e retaliações em diferentes frentes.

O secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio, recebe atenção específica. Conforme o documento, ele atribuiu ao presidente brasileiro Lula a responsabilidade pela imposição de tarifas contra produtos brasileiros, sob o argumento de que o Brasil não teria negociado de boa-fé. Para a agência, a declaração deu caráter personalista à ação política americana e poderia influenciar o debate público no Brasil.

A Abin também atribui a Rubio uma atuação voltada a reorientar a política externa dos países latino-americanos, afastando-os da China e apoiando a ascensão de governos conservadores. Em audiência no Senado dos EUA em junh, ele relacionou a recuperação da hegemonia americana na região à ascensão de governos alinhados aos Estados Unidos.

Em outubro do ano passado, uma minuta da Casa Branca propôs que o Brasil se comprometesse a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não limitasse a participação de dissidentes políticos. Em entrevista à rádio Itatiaia na quinta (17), Lula classificou o documento como um arquivo morto para seu governo e disse ser inaceitável que os americanos quisessem prioridade na riqueza mineral do Brasil.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.