O governo de Donald Trump exigiu que o Brasil garantisse a participação de “dissidentes políticos” na eleição presidencial de 2026. A cobrança fazia parte de um documento com 21 demandas, enviado a negociadores brasileiros em 16 de outubro de 2025, durante tratativas diplomáticas relacionadas ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos.
O texto também pedia eleições “livres e justas” e afirmava que os dissidentes não poderiam ser impedidos arbitrariamente de participar do processo eleitoral, nem ser detidos ou presos. O documento permaneceu em sigilo até agora e apresentou a primeira proposta de acordo entre os dois governos.
A missão brasileira enviada a Washington foi liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Integrantes brasileiros ouvidos nas negociações avaliaram que a referência a dissidentes políticos dizia respeito ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”, registrou a exigência do governo Trump.
O termo dissidente político é usado para designar alguém que discorda ou desafia o governo ou as regras de um país. A interpretação poderia ser aplicada a Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de estado.
O Departamento de Estado e o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos foram procurados, mas não haviam respondido até o momento indicado. O Itamaraty não quis comentar oficialmente o conteúdo do requerimento.
A informação sobre o documento foi divulgada em 17 de setembro de 2026.



