SÃO PAULO — Candidatos ao Senado por São Paulo defenderam medidas contra a infiltração do crime organizado no poder público, o avanço das milícias e o recrutamento de jovens nas periferias durante debate realizado nesta sexta-feira (25).
Simone Tebet (PSB) afirmou que há suspeitas de atuação do PCC no transporte coletivo da capital e dentro da estrutura da Segurança Pública estadual. Ela também citou a presença do Comando Vermelho no interior paulista e disse que as milícias passaram a atuar em São Paulo por meio do controle territorial e da cobrança ilegal por serviços.
A candidata defendeu a integração entre as forças de segurança e órgãos como a Receita Federal, além da prisão dos chefes das organizações criminosas e do bloqueio de suas fontes de financiamento. Tebet também mencionou problemas de saúde mental entre policiais militares e déficit de efetivo na Polícia Civil.
“São Paulo não pode virar um Rio de Janeiro. O PCC já está aqui, já está dentro da prefeitura, no transporte coletivo”, afirmou. Ela também disse que o crime organizado e as milícias alcançaram diferentes instâncias do poder público, incluindo câmaras municipais, assembleias legislativas e o Congresso Nacional.
Propostas apresentadas no debate
Marina Silva (Rede) defendeu o bloqueio de bens e o desmonte de empresas usadas pelas organizações criminosas. Ela citou a infiltração em empresas, fintechs e postos de combustíveis e apontou a Operação Carbono Oculto como exemplo de ação integrada contra o financiamento das facções.
A candidata afirmou que o enfrentamento deve envolver União, estados, municípios e órgãos de controle. Também defendeu o afastamento de agentes públicos ligados ao crime e apoio aos prefeitos que enfrentam organizações criminosas. Segundo Marina, as facções recrutam jovens e adolescentes e controlam serviços como internet e gás em áreas sob seu domínio.
Soninha Francine (Cidadania) propôs o uso de tecnologia, inteligência e integração entre polícias, Ministério Público e órgãos de investigação. Ela citou operações conjuntas das polícias estaduais, da Polícia Federal e do Gaeco que desmantelaram estruturas criminosas sem confrontos armados.
A candidata também mencionou a presença do crime organizado nos setores de transporte coletivo, coleta de lixo e combustíveis, além do uso de fintechs para lavagem de dinheiro. Para Soninha, a corrupção de agentes públicos, inclusive no Judiciário, no Ministério Público e no Legislativo, dificulta o combate às facções.
Geraldo Rufino (Podemos) defendeu o bloqueio do dinheiro das organizações criminosas e ações para impedir a renovação de seus quadros. Ele propôs escola profissionalizante, esporte e oportunidades de trabalho para adolescentes das periferias.
“Nós precisamos chegar na comunidade, nas favelas, periferias, antes do crime”, disse Rufino. O candidato também afirmou que policiais podem ser cooptados por organizações criminosas, defendeu melhores condições para as forças de segurança e pediu união no enfrentamento, sem divisão entre esquerda e direita.


