SÃO PAULO — Declarações feitas durante o debate entre candidatos ao Senado por São Paulo foram avaliadas com base em dados de órgãos públicos e estudos citados pelas assessorias. A checagem classificou falas como fato, falsa ou parcialmente correta em temas como favelas, eventos climáticos, segurança pública, mercado de trabalho e desmatamento.
Geraldo Rufino (Podemos) afirmou que São Paulo tem mais de 3 mil favelas e que a maioria da população do estado vive nessas comunidades. A primeira afirmação foi considerada verdadeira: o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra 3.123 favelas e comunidades urbanas no estado, sendo 1.359 na capital.
A segunda foi considerada falsa. O IBGE calcula que 3,6 milhões de pessoas moram nesses territórios em São Paulo, o equivalente a 8% da população estadual. Elas ocupam cerca de 1 milhão de domicílios. Crianças e adolescentes de até 19 anos representam 32% dos moradores; a faixa de 20 a 59 anos corresponde a 59%, e os idosos, a 8,9%.
Marina Silva (Rede) declarou que 177 cidades paulistas vulneráveis a eventos climáticos extremos reúnem cerca de 1 milhão de habitantes. A informação sobre o número de municípios foi considerada verdadeira. Notas técnicas da Secretaria Especial do Programa de Aceleração do Crescimento, ligada à Casa Civil, apontam 177 municípios de São Paulo suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações. Desse total, 173 estão sujeitos a enxurradas e inundações e quatro apenas a deslizamentos.
Os mesmos documentos indicam que 1,6 milhão de pessoas vivem em áreas paulistas mapeadas para risco geo-hidrológico. Em 2024, uma nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais registrou 172 municípios do estado em situação de vulnerabilidade a eventos climáticos extremos.
Outra fala de Marina foi classificada como parcialmente correta. Ela relacionou uma redução de 15% na violência ao combate ao crime organizado durante sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente. O estudo citado pela assessoria, sobre 521 municípios da Amazônia entre 2006 e 2016, apontou queda de cerca de 15% nos homicídios, equivalente a aproximadamente 1.477 mortes evitadas por ano.
Os autores, porém, não atribuíram o resultado exclusivamente ao combate ao crime organizado. A pesquisa relacionou a redução à menor ocorrência de conflitos fundiários, ao aumento da presença do Estado e à interrupção de mercados ilegais ligados ao desmatamento, à exploração ilegal de madeira e ao garimpo.
Segurança pública e mercado de trabalho
Simone Tebet (PSB) afirmou que o PCC se infiltrou no transporte coletivo de São Paulo e que o Comando Vermelho atua em Rio Claro. A declaração foi considerada verdadeira. Investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo, apontou suspeitas de ligação entre a facção e 12 das 22 empresas de ônibus da capital. Juntas, elas concentram 510 linhas municipais, o equivalente a 38% da rede.
Em 17 de setembro, o Ministério Público e a Polícia Civil realizaram a Operação Vectura Corrupta, com 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Milton Leite e Levi dos Santos Oliveira foram presos. A investigação também citou a atuação do Comando Vermelho na região de Rio Claro, relacionada a tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e homicídios.
A afirmação de Tebet sobre suicídios de policiais militares foi considerada parcialmente correta. Em 2025, São Paulo registrou 22 suicídios de PMs, contra 13 mortes em confronto durante o serviço e oito fora de serviço. O estado, porém, não tinha a maior taxa proporcional do país. O índice conjunto de suicídios de policiais militares e civis foi de 0,29 morte por mil policiais, colocando São Paulo na sétima posição. O Paraná apareceu à frente, com 0,30 por mil.
Soninha Francine (Cidadania) disse que o manual da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua considera ocupadas pessoas que trabalham como estátua viva, limpam para-brisas ou cuidam de carros. A afirmação foi considerada verdadeira. O IBGE confirmou que esses exemplos estão no manual e explicou que a metodologia inclui atividades remuneradas e algumas não remuneradas realizadas por pessoas de 14 anos ou mais durante pelo menos uma hora na semana de referência.
Desmatamento
Também foi considerada parcialmente correta a afirmação de Soninha de que o desmatamento caiu na Amazônia e aumentou no Cerrado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que os alertas diminuíram nos dois biomas em 2025. Na Amazônia, foram 3.817 km², contra 4.183 km² em 2024, queda de aproximadamente 8,7%. No Cerrado, o total passou de 5.901 km² para 5.357 km², redução de 9,2%.
Dados mais recentes do Inpe, referentes ao período de agosto de 2025 a julho de 2026, também apontaram redução. A Amazônia teve 2.874,38 km² sob alerta, queda de 36% em relação ao período anterior. No Cerrado, foram 5.119,46 km², redução de 7,8% e menor resultado dos últimos cinco anos.



