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Checagem aponta erros e acertos em declarações de Douglas Ruas

Candidato acertou ao falar sobre o Propag e a tarifa do metrô, mas errou em dados sobre fuzis, processos e verbas públicas.

Checagem aponta erros e acertos em declarações de Douglas Ruas

A checagem das declarações de Douglas Ruas, candidato ao governo do Rio pelo PL, classificou como verdadeiras afirmações sobre o Propag, a tarifa do metrô e um vídeo em que Eduardo Paes e Cláudio Castro cantam juntos. Também apontou informações falsas ou incompletas em falas sobre uma pedreira ligada à família de Altineu Côrtes, apreensão de fuzis, investigações, uma operação no Complexo do Alemão e recursos destinados a São Gonçalo.

A entrevista de Ruas ocorreu em 8 de setembro, começou às 10h30 e durou 1h30. A programação de entrevistas ainda incluiu William Siri em 9 de setembro, Anthony Garotinho em 10 de setembro e Eduardo Paes em 11 de setembro.

Empresas e declarações sobre segurança

Ruas afirmou que não fazia parte da Mineração Santa Edwiges Extração e Britamento Ltda. e que não sabia quem eram os sócios. A checagem considerou a declaração incompleta. Registros da Receita Federal apontam como integrantes da empresa Angela Cristina Cortes Freitas Coutinho Marinelli, ACP Gestão Empresarial e Participações Ltda., Marcelo Cortes Freitas Coutinho, Davi Decat Coutinho e Altineu Côrtes Paesler Coutinho, filho de Altineu Côrtes.

Também foram identificadas relações empresariais indiretas. Altineu Côrtes Paesler Coutinho é sócio da Normandia Empreendimentos e Participações, que divide a titularidade de um terreno em São Gonçalo com a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, de propriedade de Ruas.

Sobre a apreensão de fuzis, Ruas citou o número de 920 no ano anterior. Dados do Instituto de Segurança Pública registram 922 armas apreendidas entre janeiro e dezembro de 2025. O instituto não informa a origem dos armamentos.

A Polícia Federal identificou, porém, a produção clandestina de fuzis em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo. A fábrica tinha pelo menos 11 equipamentos industriais, e os investigadores apreenderam cerca de 150 fuzis prontos e mais de 30 mil peças. A estrutura poderia produzir até 3,5 mil fuzis por ano. Rafael Xavier do Nascimento foi preso com 13 fuzis na Via Dutra, durante investigação sobre o transporte de armas para o Rio.

A afirmação de que Eduardo Paes e Cláudio Castro cantaram juntos foi considerada verdadeira. O episódio ocorreu em fevereiro de 2024, durante uma feijoada no Palácio da Cidade, quando os dois cantaram “Domingo”, do grupo Só Pra Contrariar.

Processos, verbas e operação

A declaração de que Ruas não tem processos nem denúncias foi classificada como falsa. Uma planilha apreendida pela Polícia Federal cita o candidato entre integrantes da chamada “tropa do Bacellar”, grupo ligado a Rodrigo Bacellar. A investigação também identificou registros de valores suspeitos de relação com caixa dois eleitoral.

Em 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu procedimento sobre duas empresas ligadas a Ruas. Uma auditoria encaminhada ao órgão apontou possíveis irregularidades em contratos da Secretaria de Estado das Cidades durante a gestão dele. Ruas nega irregularidades.

O Ministério Público também instaurou o Inquérito Civil nº 2022.01036466 para investigar possível improbidade administrativa relacionada à evolução patrimonial de Ruas e outros dois servidores. Ele aparece ainda como representado na ação nº 0600221-86.2026.6.19.0000, no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, sobre possível conduta vedada relacionada ao uso da Prefeitura de Cabo Frio em evento de pré-candidatura.

A checagem considerou incompleta a versão de Ruas sobre a Operação Contenção, no Complexo do Alemão. Não houve confirmação das autoridades de que todas as pessoas mortas estavam armadas, portavam fuzis ou atiraram contra policiais. De acordo com dados apresentados, 117 pessoas morreram, mas apenas 15 eram alvos de mandados, segundo documento analisado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O Ministério Público do Rio informou que somente 5 dos mortos estavam entre esses alvos.

O balanço da ação indicou 100 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão. Mais de 80% das detenções ocorreram em flagrante. Entre 115 mortos identificados inicialmente pela Polícia Civil, ao menos 97 tinham histórico criminal, 59 tinham mandados pendentes e 17 não apresentavam histórico criminal.

Ruas também afirmou que era mentira a informação de que São Gonçalo havia recebido mais da metade das verbas da Secretaria Estadual das Cidades. Dados oficiais de 2025 mostram que o município recebeu R$ 773,3 milhões dos R$ 1,4 bilhão em contratos ativos da pasta, o equivalente a 55,2% do total.

A existência de uma auditoria sobre os contratos também foi confirmada. A Nota de Auditoria n.º 20260009 foi emitida pela Controladoria Geral do Estado com base no Decreto Estadual nº 50.254/2026. A notificação formal para defesa do ex-gestor ocorre em etapa posterior do processo administrativo.

Propag e tarifa do metrô

A afirmação sobre o Propag foi considerada verdadeira. Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente a Lei Complementar nº 212/2025, que criou o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados. Depois, deputados e senadores derrubaram parte dos vetos. Seis dispositivos foram retomados pelo Congresso, conforme informações da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro.

Também foi considerada verdadeira a declaração de que o Rio tem a maior tarifa comum de metrô do país. O valor é de R$ 7,90, acima das tarifas de São Paulo, de R$ 5,40, e de Porto Alegre, de R$ 5.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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