RIO DE JANEIRO — Declarações feitas durante o debate entre candidatos ao Governo do Rio foram classificadas como fato ou receberam ressalvas na checagem. Os temas analisados incluíram ataques a ônibus escolares, violência doméstica, educação, programas públicos e o fim da escala 6x1.
O encontro foi realizado na redação da TV Globo do Rio e teve mediação de Ana Paula Araújo. Participaram André Marinho (Novo), Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), Anthony Garotinho (Republicanos) e William Siri (PSOL).
Segurança e violência doméstica
André Marinho afirmou que, nas proximidades da favela da Maré, dois ônibus tiveram os vidros quebrados e transportavam 120 crianças. A declaração foi classificada como fato.
Na manhã de segunda-feira (28), criminosos pararam dois ônibus escolares na Linha Vermelha, perto do acesso à rodovia Washington Luís, na divisa entre Rio e Duque de Caxias. Conforme o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), da Polícia Militar, a ação teria sido uma represália a uma operação realizada antes no Complexo da Maré e também teria como objetivo atrair as forças de segurança para fora da região.
Os cerca de 120 alunos, de uma escola da Barra da Tijuca, viajavam para uma excursão em quatro ônibus rodoviários quando os motoristas foram rendidos e tiveram as chaves tomadas.
Douglas Ruas chamou Pedro Paulo Carvalho Teixeira de agressor de mulheres e afirmou que ele teria batido na própria esposa diante das filhas. A declaração foi considerada fato. Em registros sobre episódios ocorridos em 2010 e 2008, a ex-mulher de Pedro Paulo relatou agressões. Em um dos depoimentos, afirmou que recebeu socos no corpo e no rosto dentro de um carro, na presença da filha do casal, que tinha 2 anos.
Em agosto de 2016, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou a investigação contra Pedro Paulo, então candidato à Prefeitura do Rio. A decisão atendeu a um pedido do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que afirmou não ter sido comprovada a prática de crime.
Eduardo Paes disse que o irmão de Douglas Ruas havia agredido a mulher e que Pedro Paulo foi considerado inocente no inquérito. A fala também foi classificada como fato. Em 2021, Nelson Ruas dos Santos Filho foi alvo de um registro de lesão corporal na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo. A ex-mulher afirmou ter levado um soco e um tapa no rosto.
A Deam pediu o indiciamento por lesão corporal e encaminhou o caso ao Ministério Público, que denunciou Nelson Ruas em 13/01/2022. Em 10 de março de 2022, o Juizado de Violência Doméstica julgou a denúncia improcedente. O processo foi arquivado em 28 de agosto de 2024, conforme a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio.
Educação e programas públicos
Paes afirmou que São Gonçalo era o penúltimo município entre os 92 municípios fluminenses no Ideb. A declaração recebeu a classificação de não é bem assim.
No Ideb 2025 dos anos iniciais da rede municipal, São Gonçalo teve nota 4,9, a terceira menor entre os municípios do estado, empatada com Duque de Caxias. Japeri registrou 4,3, e Belford Roxo, 4,8. A nota de São Gonçalo havia sido 4,5 em 2023. Nos anos finais, passou de 3,9 para 4,2.
Anthony Garotinho afirmou ter criado a Universidade Estadual da Zona Oeste. A declaração foi considerada fato. O primeiro passo para a criação do Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) ocorreu com a lei nº 3.808, de 5 de abril de 2002, que transformou a Faetec em entidade de direito público.
A criação efetiva da Uezo ocorreu em 2005, por meio do decreto nº 37.100, durante o governo de Rosinha Garotinho. A instituição foi estabelecida como centro de conhecimento tecnológico de nível superior, com o objetivo de ampliar as vagas de ensino na Zona Oeste da capital fluminense.
Já a afirmação de Garotinho de que criou o programa Nova Baixada foi classificada como não é bem assim. O projeto de financiamento do Programa Baixada Viva foi apresentado em 1997, durante o governo de Marcello Alencar, ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. O contrato de empréstimo, no valor de US$ 180 milhões, foi assinado em 1999.
Em março de 2001, no governo de Antony Garotinho, o programa passou a se chamar Programa Nova Baixada, por meio do decreto estadual nº 27.882. A assessoria do candidato afirmou que a versão adotada em seu governo era mais ampla e incluía saneamento básico, a duplicação da adutora de água da Baixada, asfalto em quase 5 mil ruas e projetos sociais.
Escala de trabalho
William Siri afirmou que o PSOL colocou em nível nacional o debate sobre o fim da escala 6x1. A declaração foi classificada como fato.
A discussão ganhou repercussão nacional em 2024 com a mobilização do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), criado por Rick Azevedo, eleito vereador do Rio pelo Psol naquele ano. A partir desse movimento, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) passou a articular uma proposta para reduzir a jornada e acabar com a escala 6x1.
A proposta foi protocolada em 2025 e prevê jornada de até 36 horas, distribuída em quatro dias por semana. Em fevereiro de 2026, o texto foi anexado a uma proposta apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que também tratava da redução da jornada para 36 horas semanais, mas não definia uma quantidade específica de dias de trabalho por semana.


