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Política

Checagem aponta declarações falsas e imprecisas de Anthony Garotinho

Análise confirma falas sobre segurança pública e resultados eleitorais, mas contesta dados sobre prisões, aprovação e casos de corrupção.

Checagem aponta declarações falsas e imprecisas de Anthony Garotinho

Anthony Garotinho, candidato do Republicanos ao governo do Rio, teve declarações classificadas como verdadeiras, falsas ou imprecisas durante entrevista realizada nesta quinta-feira (10). A conversa durou 1h30 e fez parte de uma série com candidatos ao governo estadual. Eduardo Paes (PSD) encerra a programação nesta sexta-feira (11).

A afirmação de que oito caminhões são roubados diariamente no estado do Rio de Janeiro foi considerada verdadeira. O Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou 3.114 roubos de carga no estado em 2025. Com base nesses dados, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) calculou a média de oito caminhões roubados por dia.

Juros e veículos

A fala sobre investidores que captam recursos no exterior a 2,5% e emprestam ao governo a 14% foi classificada como não é bem assim. A taxa básica de juros estava em 14% ao ano após decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) em agosto de 2026. Porém, os títulos públicos têm prazos, indexadores e remunerações diferentes. Também não existe uma taxa única de 2,5% para operações no exterior, que envolvem juros, câmbio, custos e riscos variados.

Garotinho afirmou ainda que 185 mil carros foram roubados ou furtados no Rio no ano passado. A declaração foi considerada falsa. O ISP registrou 25.235 roubos e 17.490 furtos de veículos em 2025, somando 42,7 mil ocorrências. O levantamento inclui automóveis, caminhões, motocicletas, caminhonetes, vans e outros veículos de transporte rodoviário.

Caso Álvaro Lins e prisões

Também foi considerada falsa a versão de que um dossiê contra Álvaro Lins teria surgido depois que o delegado Maurício Demétrio Afonso Alves foi retirado da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente por tentar extorquir a Bayer. Demétrio esteve envolvido em um episódio com a Tribel, empresa do grupo Bayer, em Belford Roxo, em 2003, e foi transferido da unidade. Esse caso, porém, não deu origem à investigação contra Lins.

A apuração começou com a Operação Gladiador, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2006 para investigar uma organização que protegia contraventores. Depois, a investigação levou à Operação Segurança Pública S.A., sobre favorecimento ao grupo de Rogério Andrade e exploração de jogos ilegais. Demétrio foi uma testemunha importante, mas o processo também reuniu documentos, outros depoimentos e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

Lins foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal (TRF2) a 23 anos, quatro meses e 16 dias de prisão. Em 2024, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio do processo à Justiça Eleitoral.

A afirmação de Garotinho de que ficou detido por menos de 29 dias, somados os períodos de prisão, também foi classificada como falsa. Ele foi preso cinco vezes, entre novembro de 2016 e outubro de 2019, totalizando 50 dias. O período de 29 dias corresponde apenas à terceira prisão, entre 22 de novembro e 21 de dezembro de 2017, na Operação Caixa d’Água. Nas demais prisões, ficou detido por oito dias em 2016, 13 dias em setembro de 2017 e menos de 24 horas em setembro de 2019.

Aprovação e eleições

A declaração de que Garotinho deixou o governo do Rio com 80% de aprovação foi considerada falsa. Ele governou o estado entre janeiro de 1999 e abril de 2002. O maior índice registrado pelo Datafolha foi de 68%, em 11 de junho de 1999. Na última avaliação citada, publicada em 2 de julho de 2001, 61% aprovavam a gestão, 29% a consideravam regular e 8% a reprovavam.

Já foi considerada verdadeira a afirmação de que sua sucessora venceu a eleição no primeiro turno e de que Garotinho superou Lula no Rio na disputa presidencial. Rosinha Garotinho foi eleita governadora com 51,3% dos votos válidos nas eleições de 2022. Garotinho obteve 42,18% dos votos no estado, contra 40,17% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Propinoduto e estruturas de segurança

A versão de que o propinoduto foi descoberto pelo governo de Rosinha Garotinho foi classificada como falsa. O esquema envolveu fiscais da Fazenda do Rio de Janeiro e da Receita Federal, com cobrança de propinas e envio de dinheiro para contas na Suíça. As investigações começaram em 2002, pelo Ministério Público da Suíça, e o caso ganhou repercussão em 2003.

Rodrigo Silveirinha, apontado como chefe do grupo, ocupou o cargo de subsecretário-adjunto de Administração Tributária da Secretaria de Fazenda entre 1999 e 2002, durante o governo de Anthony Garotinho. No início da gestão de Rosinha, ele foi nomeado para a presidência da Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin), mas deixou o cargo dez dias depois. Silveirinha e outros envolvidos foram condenados em 2003. Ele morreu em 2023.

Por fim, foi considerada verdadeira a afirmação de Garotinho sobre a construção da sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a criação do Instituto de Segurança Pública (ISP), do Grupamento Especial Tático Móvel (Getam) e a ativação do Grupamento Aéreo e Marítimo (GAM) durante seu governo.

O ISP foi criado em 28 de dezembro de 1999 pela Lei Estadual nº 3.329/1999. A sede do Bope, na comunidade Tavares Bastos, foi inaugurada em dezembro de 2000, embora o batalhão já existisse desde 1978. Documentos oficiais registravam a atuação do Getam em 2000. O GAM foi ativado em 21 de março de 2002, enquanto sua formalização por decreto ocorreu posteriormente, em 2004.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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