RIO DE JANEIRO — A entrevista de Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio pelo PSD, teve declarações classificadas como verdadeiras ou imprecisas em temas como segurança pública, educação, sistema penitenciário, alianças políticas e capacidade de endividamento da prefeitura. A conversa ocorreu nesta sexta-feira (11), começou às 10h30 e durou 1h30.
A série de entrevistas também ouviu Douglas Ruas (PL), William Siri (PSOL) e Anthony Garotinho (Republicanos), entre 8 de setembro (terça-feira) e 10 de setembro (quinta-feira). Cada entrevista teve uma hora e meia de duração.
Segurança pública e sistema penitenciário
Foi considerada verdadeira a afirmação de que o governo do PL no Rio teve quatro secretários presos com ligação com o crime organizado. Allan Turnowski, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foi preso em 2022 e denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por suspeita de integrar uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho. Ele responde em liberdade.
Raphael Montenegro, então secretário estadual de Administração Penitenciária, foi preso em 2021 por suspeitas de negociação de vantagens com integrantes do Comando Vermelho. Alessandro Pitombeira Carracena, que ocupou as secretarias estaduais de Esporte e Lazer e de Defesa do Consumidor, está preso desde setembro de 2025. Rodrigo Bacellar, ex-secretário estadual de Governo, também foi preso. Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal voltou a decretar a prisão preventiva dele.
A declaração de Paes sobre um déficit de 20 de mil vagas no sistema penitenciário foi considerada verdadeira, embora o número informado pela Secretaria de Polícia Penal seja de cerca de 19 mil. Apenas 8 das 47 unidades não apresentam falta de vagas.
Já a afirmação de que o Rio é o estado que mais gasta em segurança pública foi classificada como imprecisa. Em 2025, o estado empenhou R$ 17,37 bilhões na área, o segundo maior valor absoluto, atrás de São Paulo, que gastou R$ 18,38 bilhões. O Rio ficou em quarto lugar quando considerado o valor por habitante.
A segurança pública representou 14,9% das despesas do Rio, maior percentual entre os estados. Em outro levantamento, do Tesouro Nacional, a área correspondeu a 16% das despesas empenhadas pelo estado, a segunda maior proporção, atrás de Minas Gerais, com 20%.
Educação e Ideb
A afirmação de que o Rio tem o pior Ideb do Brasil não foi considerada correta. O indicador é divulgado por etapa de ensino e por rede, e não há uma nota única para cada estado.
No ensino médio da rede estadual, o Rio registrou 3,7 em 2025. O resultado ficou empatado com Amazonas, Roraima e Amapá e acima apenas do Distrito Federal, que teve 3,6. Em 2023, a nota fluminense era 3,3.
São Gonçalo também não ficou na penúltima posição entre os municípios fluminenses nos anos iniciais da rede municipal. A cidade obteve 4,9, empatada com Duque de Caxias e atrás apenas de outros municípios. Japeri teve 4,3, e Belford Roxo, 4,8. São Gonçalo passou de 4,5, em 2023, para 4,9, em 2025.
Paes também afirmou que Goiás tem o melhor Ideb do Brasil. A declaração foi considerada imprecisa. No resultado mais recente, divulgado em 2026, o Paraná liderou o ensino médio, com 5,1, enquanto Goiás ficou com 5,0. O Rio, por sua vez, gasta R$ 19.580 por aluno ao ano, contra R$ 10.704 em Goiás, diferença de 83%.
Nomeações e alianças políticas
Foi considerada verdadeira a afirmação sobre a mudança na Lei Orgânica da Polícia Civil que permitiu a nomeação de Marcus Vinícius Amim Fernandes. Antes, o secretário precisava ter pelo menos 15 anos como delegado. A alteração passou a considerar o tempo de serviço na instituição.
Amim comandou a Polícia Civil entre outubro de 2023 e setembro de 2024. Rodrigo Bacellar era presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e apoiou a indicação. Depois de deixar a secretaria, Amim foi nomeado para coordenar a segurança da Assembleia. Em julho de 2026, ele foi alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, e a Corregedoria da Polícia Civil abriu investigação disciplinar.
A afirmação de que Paes não tinha o apoio de Antonio Rueda foi classificada como imprecisa. A federação União Progressista declarou neutralidade na disputa pelo governo do Rio, mas Rueda participou de agendas com aliados de Paes, esteve em evento de campanha em São João de Meriti e declarou apoio a Pedro Paulo, candidato a senador pelo PSD.
Também foi considerada verdadeira a declaração de Paes sobre Chiquinho Brazão. Ele foi indicado pelo Republicanos para a Secretaria Especial de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio e nomeado em 3 de outubro de 2023. Deixou o cargo em 1º de fevereiro de 2024, antes da prisão dele, de Domingos Brazão e de Rivaldo Barbosa, em 24 de março de 2024.
Dívida da prefeitura
A declaração sobre o limite de endividamento do município do Rio também foi considerada verdadeira. A relação entre a dívida e a receita corrente líquida variou, nos últimos anos, de 35% a 48%.
Em 2024, a dívida líquida consolidada era de R$ 16,94 bilhões, diante de uma receita corrente líquida de R$ 34,89 bilhões. A relação era de 48,55%. Em 2025, a dívida líquida ficou em R$ 13,25 bilhões, enquanto a receita corrente líquida chegou a R$ 36,96 bilhões, com relação de 35,84%.
A avaliação considerou que Paes usou a diferença entre a relação atual da dívida e a receita do município e o limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para afirmar que a prefeitura tem capacidade de endividamento para continuar investindo.


