RIO DE JANEIRO — Declarações de William Siri, candidato do PSOL ao governo do Rio de Janeiro, foram analisadas durante uma entrevista realizada nesta quarta-feira (9). A checagem considerou afirmações sobre pesquisas eleitorais, suicídios de policiais, contratos temporários, saneamento, votação na Assembleia Legislativa, salários de professores, investigações criminais e apreensão de fuzis.
Pesquisas e policiais
Siri afirmou que a variação de 3% para 1% nas intenções de voto estava dentro da margem de erro. A declaração foi considerada fato. Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, o candidato tinha 3%. O levantamento ouviu 1.302 eleitores e tinha margem de erro de três pontos percentuais.
Na rodada divulgada em 8 de setembro, Siri apareceu com 1%, novamente em uma pesquisa com 1.302 entrevistados e margem de erro de três pontos percentuais. A diferença de dois pontos ficou abaixo da margem informada, o que, isoladamente, não permite concluir que houve queda efetiva.
Já a afirmação de que 55 policiais morreram por suicídio no ano passado foi considerada incorreta. Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que sete policiais se suicidaram no Rio em 2025: quatro militares e três civis. Em 2024, foram 14 casos.
O número 55 se refere ao total de policiais mortos em 2024. Desse grupo, 28 mortes ocorreram por letalidade violenta, 13 por acidentes e 14 por suicídio. Em 2025, o ISP registrou 69 policiais mortos: 51 por letalidade violenta, 11 em acidentes e sete por suicídio. A assessoria de Siri reconheceu o equívoco.
Contratos, protestos e saneamento
A declaração sobre Eduardo Paes foi classificada como não é bem assim. Em 2024, quando era prefeito do Rio, Paes enviou à Câmara de Vereadores o PL 2584, que ampliou de três para seis anos o prazo máximo de contratos temporários sem concurso público. A aprovação provocou um protesto de professores em novembro de 2024, com ocupação do plenário. O ato terminou pacificamente.
Em dezembro, professores protestaram contra outro projeto, o Projeto de Lei Complementar 186, que tratava da carga horária, da licença especial e da gestão das férias da categoria. A Polícia Militar dispersou a manifestação com bombas de gás lacrimogêneo. A corporação é subordinada ao governo do estado, não à Prefeitura.
Também foi considerada parcialmente correta a afirmação de que a Cedae foi vendida. Em 2021, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro leiloou quatro lotes de saneamento para a iniciativa privada, no início da gestão Cláudio Castro. Três lotes somaram R$ 22,7 bilhões em outorgas, valor 114% acima dos mínimos previstos no edital.
A empresa, porém, não foi totalmente privatizada. A captação e o tratamento da água continuam estatais. A iniciativa privada recebeu a exploração dos serviços de água e esgotamento sanitário por 35 anos, enquanto as concessionárias compram água do Estado para distribuí-la.
Dados de cobertura usados no edital foram questionados posteriormente. Um acordo de R$ 900 milhões entre a Cedae e as concessionárias foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Rio, e o Ministério Público do Estado abriu inquérito para investigar possível prejuízo aos cofres públicos.
Assembleia e educação
A afirmação de que o PSOL votou unido para manter a prisão de Rodrigo Bacellar e de que a maioria do PL votou pela soltura foi classificada como fato. Em 8 de dezembro de 2025, a Alerj decidiu revogar a prisão do então presidente da Casa, suspeito de vazar informações de uma operação contra TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.
Na sessão, 65 deputados estavam presentes, três ausentes e um licenciado. O resultado teve 42 votos pela revogação, 21 pela manutenção da prisão e duas abstenções. Os cinco deputados do PSOL votaram pela manutenção. Entre os 18 parlamentares do PL, foram 14 votos pela revogação, três contrários e uma abstenção. No PSD, dois votaram pela revogação, três pela manutenção e um estava ausente.
A afirmação de que o Rio tinha o pior salário estadual do país para professores também foi considerada não é bem assim. Um levantamento do Movimento Profissão Docente apontou que o salário inicial no estado era de R$ 4.867,77, o menor entre os estados e o Distrito Federal. O ranking foi divulgado em 3 de março e reuniu dados dos 26 estados e do Distrito Federal.
Apesar da pior posição no ranking, o valor correspondia exatamente ao piso nacional definido pelo Ministério da Educação para 2025. Piauí aparecia com R$ 4.984,17, e Minas Gerais, com R$ 4.867,97.
Investigações e apreensão de fuzis
A afirmação que associou Thiago Rangel à venda de drones e armas e à retirada de R$ 1 bilhão da educação foi considerada não é bem assim. TH Joias está preso desde setembro de 2025, sob investigação por suspeita de intermediar a compra e a venda de armas para o Comando Vermelho. A Polícia Federal também apontou negociação de equipamentos antidrones pelo grupo investigado.
As investigações citadas, porém, não apontam Thiago Rangel como responsável pela negociação ou venda desses equipamentos e armas. Ele foi preso em maio de 2026, na quarta fase da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de fraudes, peculato, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo a Secretaria Estadual de Educação.
Por fim, foi considerada fato a declaração de que a maior apreensão de fuzis da história do Rio ocorreu em um aeroporto. Em junho de 2017, a Polícia Civil apreendeu 60 fuzis no terminal de cargas do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. As armas tinham sido enviadas de Miami e estavam escondidas em contêineres com aquecedores de piscina. A apreensão é a maior registrada no estado.



