SÃO PAULO — O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, afirmou nesta quinta-feira (10) que pode apoiar Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. Para isso, disse que o senador terá de esclarecer a origem e o destino dos recursos usados no filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, e assumir compromissos com o plano de governo de Cury.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up. A ação apura suspeitas de desvio de verbas de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção do filme. Flávio não é alvo da operação, mas aparece em outra investigação sobre a captação de recursos para a obra com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master.
Durante uma agenda de campanha em São Paulo, Cury afirmou: “Em relação ao Flávio, ele tem que provar que não tem corrupção”. Também condicionou eventual apoio à assinatura, em cartório, de um compromisso para executar seu plano de governo. Segundo o candidato, caso essas condições sejam cumpridas, seus apoiadores poderiam votar no senador.
Questionamentos sobre o financiamento
Flávio tem declarado que os repasses milionários para o filme foram um patrocínio privado, sem irregularidades. Cury, porém, afirmou que a relação com Vorcaro ainda precisa ser esclarecida. O presidenciável mencionou o encontro entre os dois e cobrou explicações sobre os recursos ligados ao Banco Master.
Cury também descartou apoiar Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno. Na mesma entrevista, disse que espera chegar à etapa decisiva da disputa com sua própria candidatura.
Pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (8) apontou Cury com 8% das intenções de voto, na terceira colocação do primeiro turno. Lula apareceu com 36%, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 29%.



