Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, tende a participar do debate da TV Globo marcado para quinta-feira (1º), a três dias do primeiro turno, no domingo (4). A decisão considera a indicação de que o presidente Lula (PT), principal adversário do senador, também deve comparecer.
Até agora, os dois não participaram dos debates do primeiro turno. A maioria dos encontros foi cancelada, e o debate da TV Bandeirantes teve apenas Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). O número de participantes foi o menor em um debate inaugural desde 1989, quando as emissoras passaram a promover esse tipo de evento.
Estratégia das campanhas
Auxiliares de Flávio avaliam que a participação pode ser desfavorável a Lula por ele ser o presidente. Também consideram que Caiado e Cury, os outros candidatos convidados, são mais críticos ao petista. Para a campanha do senador, estar no debate ajudaria a evitar acusações de que ele estaria fugindo do confronto.
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (25) indica Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio. No segundo turno, há empate: o presidente aparece com 47%, e o senador, com 45%.
Lula avalia mudar de estratégia diante do empate técnico. Petistas contrários à presença do presidente afirmam que ele seria alvo dos adversários, alinhados à direita, e que Flávio poderia atuar em conjunto com os demais candidatos. Entre os argumentos favoráveis está a possibilidade de defender o governo, que seria atacado diante de uma audiência que alcançou 26 pontos no primeiro turno de 2022, além de obter imagens para as redes sociais.
A campanha do PL deve concentrar os ataques ao governo na segurança pública e na economia, com foco no endividamento e na perda do poder de compra. Flávio também tem citado o envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, no escândalo de fraudes no INSS.
O senador, por sua vez, deve ser questionado sobre sua relação com o escândalo do Banco Master. Em maio, foi divulgado um áudio em que ele pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro.
A ausência de presidentes em debates durante campanhas de reeleição já ocorreu. Em 2006, Lula não participou dos encontros do primeiro turno e venceu a eleição. Em 1998, Fernando Henrique Cardoso também não compareceu aos debates e foi eleito no primeiro turno.



