O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CNMP) não encontrou indícios de irregularidades na atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso do Banco Master. A decisão foi tomada por cinco a quatro, na sexta-feira, 25.
Em publicação no X neste sábado, 26, Gilmar disse que a rejeição da investigação confirmou a lisura de Gonet. O procedimento estava relacionado a uma viagem a Londres para uma degustação de uísque e charutos. O voto decisivo foi do presidente do colegiado, Nicolao Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino.
O ministro também voltou a criticar André Mendonça, relator do caso Master, após o fim do sigilo de um relatório da Polícia Federal que mostrou a proximidade entre Gonet e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para Gilmar, Mendonça havia reconhecido no Plenário a fragilidade das insinuações antes da divulgação do conteúdo.
“o dano reputacional já estava consumado”, escreveu Gilmar, ao mencionar vazamentos seletivos que, na avaliação dele, teriam ocorrido em um inquérito que ganhou força durante o ciclo eleitoral. O ministro afirmou ainda que a reputação de Gonet foi exposta a ataques antes de se reconhecer que não havia gravidade nas conversas.
Críticas a decisões individuais
Gilmar também contestou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, determinado em decisão liminar de Mendonça. A medida foi suspensa posteriormente pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Segundo Gilmar, o afastamento teve efeitos institucionais imprevisíveis e desarticulou temporariamente o comando da Polícia Federal, responsável pela segurança das fronteiras e pela repressão a crimes transnacionais. Para ele, a reversão da decisão evitou um dano maior.
O ministro relacionou os episódios ao que chamou de decisões monocráticas de grande alcance tomadas de afogadilho. A partir disso, defendeu que a figura do juiz de garantias também possa ser aplicada ao Supremo.



