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Política

Instituto ligado à produtora de “Dark Horse” teve tesoureiro que diz nunca ter atuado

Jacio Dantas aparece como tesoureiro do ICB entre 2014 e 2021, mas afirma que apenas emprestou o nome ao cargo e não participou da entidade.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, teve um tesoureiro-geral que afirma nunca ter exercido a função nem participado das atividades da organização. Jacio de Medeiros Dantas aparece em atas como responsável pela tesouraria entre 2014 e 2021, mas disse que apenas emprestou o nome para ajudar a empresária.

O instituto é ligado à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em 2024, o ICB assinou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar Wi-Fi público na capital. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de irregularidades.

A organização também é investigada pela Polícia Federal por suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares. Entre os valores citados estão R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”.

Tesoureiro diz que não participava da entidade

Dantas, de 64 anos, é eletricista e afirmou que foi procurado pela mãe de Karina, Regina Ferreira da Gama de Nazaré. Segundo ele, a empresária estava criando uma ONG para um projeto de dança e precisava indicar pessoas para ocupar os cargos previstos na estrutura da entidade.

“Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]. Até porque eu tenho outro trabalho”, disse Dantas. Ele também afirmou que não participou de assembleias ou reuniões, embora seu nome apareça em listas de presença desses encontros.

As atas registram Dantas como tesoureiro-geral eleito em gestões entre 2014 a 2021 e também como secretário de assembleias. A função de tesoureiro envolve a administração dos recursos financeiros, incluindo o controle de pagamentos, recebimentos e do caixa.

O período coincide com os anos analisados pela Controladoria-Geral da União (CGU) em uma auditoria sobre recursos recebidos do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (CN-Sesi). Segundo a CGU, o ICB recebeu R$ 11 milhões e pelo menos R$ 2,4 milhões foram superfaturados. A auditoria apontou desvio de recursos em sete estados e no Distrito Federal.

Divergências em atas e documentos

A comparação entre atas do próprio instituto e outros documentos públicos encontrou diferenças nas assinaturas atribuídas a integrantes da direção. No caso de Dantas, há rubricas distintas em documentos de 29 de setembro de 2014, em uma reforma do estatuto de 2015, em uma ata de 2 de outubro de 2017 e na carta de renúncia ao cargo, datada de janeiro de 2020.

Dantas afirmou que não reconhecia como suas duas das assinaturas apresentadas. A comparação com documentos de um processo judicial do qual ele participa indicou semelhanças entre sua assinatura oficial e as rubricas de setembro de 2014 e da reforma estatutária de 2015. Já as assinaturas atribuídas a ele em 2017 e 2020 foram consideradas distintas.

Também foram observadas diferenças nas assinaturas de Rafael Tadeu da Silva Santanna, que teria sido secretário-geral do ICB de 2014 a 2017, e de Karina Pereira Penha, apontada como sucessora no cargo. A rubrica de Santanna em um documento de 2017 não coincide com a de uma ata de 2014 nem com duas assinaturas encontradas em um processo judicial. A assinatura atribuída a Penha na ata de 2017 também diverge de uma procuração assinada por ela em janeiro de 2023.

Santanna disse que ficou surpreso com as divergências e que não se lembrava de ter assinado atas ou documentos. Ele pediu acesso aos arquivos, mas não respondeu depois de recebê-los. Penha confirmou que trabalhou no instituto, mas não respondeu sobre as assinaturas ou sobre o período em que ocupou o cargo.

Karina Ferreira da Gama e o ICB foram procurados e não responderam. O instituto tinha 12 pessoas em cargos como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros desde 2014. Entre elas estava Regina Ferreira da Gama de Nazaré, que foi vice-presidente da organização ao lado da filha entre setembro de 2014 e setembro de 2017.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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