NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que discorda da forma como Donald Trump governa os Estados Unidos e disse que o presidente norte-americano não tem o direito de impor sua vontade a outros países. Lula está nos EUA para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, cuja abertura ocorre em 22 de setembro.
Em entrevista à CNN Internacional, Lula reconheceu que Trump foi eleito para governar os Estados Unidos, mas afirmou que esse mandato não autoriza interferências sobre outras nações. “Ele não tem o direito de governar outros países”, disse o presidente brasileiro. Lula também declarou que valoriza o respeito entre os países.
O presidente criticou ainda a captura de Nicolás Maduro na Venezuela. Para Lula, a ação afetou a soberania venezuelana e trouxe prejuízos para os Estados Unidos, a Venezuela e a democracia.
Guerra, preços e atuação internacional
Lula afirmou que não quer que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã afete o Brasil. Ele relacionou os conflitos ao aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos nos Estados Unidos e em outros países. O presidente também mencionou medidas adotadas pelo governo brasileiro para evitar impactos sobre os preços dos alimentos.
Na entrevista, Lula disse que o Conselho de Segurança e a Organização Mundial do Comércio não funcionam como deveriam. Também citou as mortes de crianças na Faixa de Gaza e questionou quando a fome no mundo será enfrentada.
O presidente defendeu mudanças na organização da ONU e a ampliação da representatividade dos países. Segundo ele, a instituição está desacreditada e os líderes globais não têm conseguido apresentar respostas suficientes. Lula afirmou ainda estar incomodado e indignado com a situação internacional, que, em sua avaliação, está piorando.
Ele criticou justificativas usadas para intervenções dos Estados Unidos no Iraque e na Venezuela e disse que os países não podem viver sob mentiras. Lula também mencionou a posição de Trump sobre as mudanças climáticas e criticou líderes que não acreditam no fenômeno.
Discurso na Assembleia Geral
Lula deverá discursar sobre soberania nacional na 81º Sessão Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, durante a abertura do evento. O presidente também deve defender a negociação para resolver disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a importância do multilateralismo.
O Brasil tradicionalmente faz o primeiro discurso do debate geral desde a 10ª sessão da Assembleia Geral, em 1955. A sessão será presidida pelo ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman, e está prevista para ocorrer dos dias 22 a 26 e 28 de setembro.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante a semana e participará de reuniões e encontros ministeriais.



