A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Uma das linhas de apuração busca esclarecer se os valores foram destinados oficialmente à produção do filme “Dark Horse” ou se essa finalidade serviu apenas para justificar as transferências.
A investigação tenta identificar se o dinheiro foi aplicado no projeto audiovisual, se houve desvio de finalidade ou se parte dos recursos pagou a permanência de Eduardo Bolsonaro no país. O ex-deputado federal mora no Texas.
Também está sob análise o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações e a destinação final dos valores. Flávio é pré-candidato à Presidência da República. O esclarecimento do fluxo financeiro é considerado central para determinar o alcance das conexões políticas e financeiras em torno de Vorcaro, dono do Banco Master.
Mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro mostram o senador cobrando verbas prometidas para financiar “Dark Horse”, produção internacional sobre a história de Jair Bolsonaro. O filme tem previsão de estreia no Brasil em setembro.
Valores sob investigação
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que a empresa Entre Investimentos teria intermediado repasses de Vorcaro para o projeto. A empresa recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados pela PF e ligados ao banqueiro.
Ainda não foi esclarecido quanto desse total chegou efetivamente ao financiamento do filme ou à empresa responsável pela produção. O acordo previa R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões foram pagos por Vorcaro.
A hipótese de que recursos do Banco Master tenham bancado Eduardo Bolsonaro foi mencionada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) em vídeo publicado no Instagram. Segundo o parlamentar, US$ 2 milhões foram transferidos por Vorcaro para um fundo sediado no Texas que teria como sócio o advogado de Eduardo Bolsonaro.
“O filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele [Daniel Vorcaro]”, afirmou Lindbergh. Eduardo Bolsonaro ainda não comentou o caso.



