A segurança pública foi um dos principais temas do debate entre André Marinho (Novo), Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD) e William Siri (PSOL), candidatos ao governo do Rio de Janeiro. Eles discutiram a retomada de áreas controladas por organizações criminosas, a reorganização das polícias, o policiamento comunitário e a presença de serviços públicos nas comunidades.
Também houve acusações sobre supostas relações entre políticos e organizações criminosas. As declarações foram feitas pelos próprios candidatos e contestadas pelos adversários.
Propostas para áreas dominadas pelo crime
André Marinho defendeu um comando integrado para situações de crise, reunindo as polícias Militar, Civil e Penal, o sistema socioeducativo e a Defesa Civil. Pela proposta, o governador acompanharia operações de grande impacto a partir do Centro Integrado de Comando e Controle. O candidato também apresentou o programa “Sai fuzil, entra Brasil” e afirmou que a recuperação dos territórios deveria impedir o recrutamento de crianças e adolescentes.
Para as Baixadas Litorâneas, Marinho prometeu reforçar o Batalhão de Araruama e ampliar o policiamento comunitário. Ele citou disputas entre organizações criminosas em Cabo Frio, Tamoios e Unamar, além de relatos de extorsão contra barqueiros. O candidato também afirmou que seu governo buscaria prender Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado por ele como chefe do Terceiro Comando Puro (TCP).
Anthony Garotinho propôs o “Bope 2.0”, com atuação voltada à ocupação de territórios. A Polícia Militar entraria nas comunidades acompanhada pela Polícia Civil, responsável por investigar e localizar armas e drogas. O plano também teria uma frente social, com iniciativas de esporte, juventude e renda, além do apoio de forças federais para cercar as áreas durante as operações.
Garotinho indicou a Maré, o Alemão, a Pedreira e o Salgueiro, em São Gonçalo, como áreas prioritárias para as ações de retomada. Ele também prometeu convocar aprovados em concursos das polícias Militar, Civil e Penal e do Departamento Geral de Ações Socioeducativas.
Douglas Ruas relacionou o domínio territorial das facções ao chamado “custo Rio” e defendeu uma mudança na política de segurança. O candidato disse que atuaria em conjunto com o futuro presidente da República, Flávio Bolsonaro, no combate às organizações criminosas. Também propôs modificar o sistema de metas das polícias e dar apoio aos agentes durante as ocorrências.
Na área de proteção às mulheres, Ruas defendeu qualificação profissional, acesso a crédito e oportunidades de trabalho para vítimas que enfrentam relações abusivas e dependência financeira.
Reorganização das polícias e proteção às mulheres
Eduardo Paes prometeu reunificar a Secretaria de Segurança Pública e retirar a influência política das nomeações de comandantes de batalhões e delegados. Para o combate à violência contra a mulher, defendeu políticas integradas entre saúde, assistência social e segurança.
Paes afirmou que pretende ampliar de 50 para cerca de 150 as equipes da Ronda Maria da Penha e criar 8 delegacias da mulher, com atendimento ininterrupto. Na Região dos Lagos, disse que o Batalhão de Araruama seria inaugurado no verão de 2027 com efetivo completo.
O candidato também propôs forças municipais e sistemas de monitoramento eletrônico, citando o Civitas, programa usado na cidade do Rio. Segundo ele, o governo estadual apoiaria as prefeituras na criação dessas estruturas.
William Siri defendeu que a retomada de territórios combine policiamento com saneamento, educação, saúde e outros serviços públicos. Ele afirmou que começaria pelo Morro da Providência, na região central do Rio, e mencionou a situação de Paraty ao tratar dos efeitos da insegurança sobre o desenvolvimento econômico e o turismo da Costa Verde.
Siri prometeu melhorar as condições de trabalho em delegacias e batalhões, além de realizar concursos para a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Secretaria de Administração Penitenciária. Durante o debate, afirmou que a Polícia Militar tem cerca de 45 mil agentes, embora a legislação preveja 60 mil. Também disse que a Polícia Civil conta com aproximadamente 9 mil servidores e deveria ter 17 mil.
Apesar das diferenças, mais de um candidato afirmou que a recuperação de áreas dominadas por grupos armados não deve depender apenas de operações policiais. Garotinho destacou programas sociais; Siri, serviços públicos; Marinho, a prevenção do recrutamento de estudantes; Ruas, o enfrentamento ao domínio territorial; e Paes, a reorganização da segurança, o monitoramento e a redução da influência política nas polícias.


