A possibilidade de Paulo Gonet ser considerado suspeito na investigação sobre o Banco Master preocupa grupos do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Polícia Federal (PF). Magistrados e investigadores avaliam que uma decisão desfavorável ao procurador-geral da República poderia abrir espaço para pedidos de anulação de provas obtidas no caso.
As defesas dos investigados poderiam usar o resultado para questionar atos do processo, inclusive a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A análise também considera que o avanço das investigações poderia ser comprometido.
Conselho do MPF vai analisar mensagens
O Conselho Superior do Ministério Público Federal deve examinar, na próxima sexta-feira (25), menções a Gonet em mensagens atribuídas a Vorcaro. A relação entre os dois passou a ser questionada depois da divulgação de uma fotografia em que aparecem juntos em Londres, em 2024.
A expectativa era de que o relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master fosse concluído ainda em setembro. O cronograma foi afetado pela crise interna no STF e por adiamentos de depoimentos, o que atrasou a conclusão da investigação.
A preocupação com possíveis efeitos sobre a validade das provas também é compartilhada pelo grupo do ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo. Uma decisão de Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, depois revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin, também gerou discussões sobre eventuais questionamentos futuros de nulidade.
A tendência é que o Conselho Superior do MPF não abra procedimento contra Gonet e considere que não há impedimento para que ele continue atuando no caso.



