Investidores estrangeiros demonstram interesse elevado pelo mercado brasileiro, mas ainda mantêm exposição reduzida ao país. A avaliação foi feita pela Ágora Investimentos e pelo Bradesco BBI após reuniões com investidores institucionais nos Estados Unidos.
O relatório foi assinado por Pedro Grimaldi, do BBI, e Ricardo França, da Ágora, e divulgado na segunda-feira (21). Os analistas afirmaram que o posicionamento dos investidores permanece predominantemente neutro, apesar da percepção de preços atrativos e da possibilidade de queda mais acentuada dos juros.
A principal dúvida está no ritmo de desaceleração da economia brasileira. Esse fator é usado para avaliar a possibilidade de novos cortes da Selic. No cenário-base do Bradesco, a economia já está perdendo força, e a taxa pode recuar para 11% ao fim de 2027.
O Non-Deal Roadshow reúne investidores institucionais para discutir o cenário macroeconômico, as perspectivas para o mercado e teses de investimento, sem estar ligado a uma oferta de ações ou a uma captação específica.
Inflação, câmbio e preços de petróleo e combustíveis foram apontados como riscos durante as reuniões. Esses fatores podem adiar o ritmo de redução da Selic. Os investidores, segundo os analistas, aprofundam as avaliações para reagir quando houver sinais mais claros, como o início de um novo ciclo de cortes, dados fiscais melhores ou maior visibilidade sobre o cenário macroeconômico.
Ações no radar
O Nubank (NU) concentrou a maior parte das discussões, principalmente por causa da qualidade da carteira de crédito no Brasil e da expansão nos Estados Unidos. No início de setembro, a fintech anunciou o começo da operação no país.
BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3) foram citados como nomes preferidos para um cenário de juros menores. Banco do Brasil (BBAS3) e XP (XP) apareceram como alternativas mais sensíveis a uma melhora macroeconômica.
Fora do setor financeiro, Petrobras (PETR3;PETR4), Rede D’Or (RDOR3), Cyrela (CYRE3) e Cury (CURY3) também receberam atenção dos investidores estrangeiros.



