SÃO PAULO — O governador Tarcísio de Freitas demitiu nesta quinta-feira (3) o deputado federal Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, da Polícia Civil de São Paulo. Pela legislação estadual, cabe ao governador decidir sobre a demissão de delegados da corporação.
A Polícia Civil havia recomendado o desligamento em 2022. O processo passou pela gestão de Rodrigo Garcia e ficou em análise na Assessoria Jurídica do Governo desde o início da administração de Tarcísio, em janeiro de 2023. A decisão poderia perder validade se não fosse encaminhada em até cinco anos após a falta.
Da Cunha estava afastado e sem salário por exercer o mandato de deputado federal em Brasília. Ele foi eleito pelo Partido Progressistas de São Paulo e depois mudou para o União Brasil. O parlamentar é candidato à reeleição em 2026.
Investigação sobre operação policial
A demissão está relacionada a uma operação realizada em julho de 2020, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a Corregedoria da Polícia Civil, Da Cunha fez com que uma vítima de sequestro e o homem preso no caso retornassem ao local para repetir a ação diante das câmeras.
A corregedoria concluiu que houve abuso de autoridade e constrangimento ilegal. O Conselho da Polícia Civil recomendou a demissão por falta disciplinar grave. A acusação também apontou o uso de equipes, armas e viaturas da corporação para divulgação pessoal em redes sociais.
Na Justiça comum, o Ministério Público acusou Da Cunha pelos mesmos fatos. Em fevereiro deste ano, ele se tornou réu, mas ainda não foi julgado. Em outra ação, responde por violência doméstica, sob acusação de agredir e ameaçar matar a ex-companheira em 2023, em Santos. O julgamento não foi marcado.
Da Cunha justificou a repetição da operação como uma reconstituição. “Eu sou professor de processo penal e gosto muito disso”, afirmou. Policiais responsáveis pela investigação entenderam que a reprodução não tinha respaldo legal durante o flagrante.
Processo e atuação nas redes
O delegado foi afastado preventivamente em julho de 2021, depois de dizer publicamente que havia ratos na polícia. Na ocasião, teve armas e distintivo recolhidos. Em agosto de 2021, pediu licença sem remuneração por dois anos e concorreu à Câmara dos Deputados. Foi eleito no ano seguinte com mais de 180 mil votos.
Desde 2020, publica vídeos de operações policiais. O canal no YouTube tem mais de 3,7 milhões de fãs, e o perfil no Instagram reúne mais de 2 milhões de seguidores.
Rodrigo Garcia afirmou, por meio de nota, que não chegou a analisar o processo. Segundo o ex-governador, o parecer jurídico não havia sido concluído e o caso só chegou à Assessoria Jurídica do Governador em dezembro de 2022.
A Secretaria da Segurança Pública informou que Da Cunha permanece afastado para exercer atividade parlamentar e responde a cinco procedimentos administrativos e disciplinares. A pasta declarou que os processos ainda em andamento só serão enviados ao chefe do Executivo paulista após a conclusão das etapas previstas.
A secretaria também informou que o delegado Paulo Francisco Muniz Bilynskyj está afastado para exercer mandato parlamentar e responde a procedimentos disciplinares. Bilynskyj disse que aguarda a manifestação da pasta e afirmou que não houve decisão de demissão ou perda do cargo.



