SÃO PAULO — O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (18) que a administração estadual mantinha um secretariado técnico e não recorria a partidos para escolher ocupantes de cargos. A declaração foi feita durante um evento na Vila Leopoldina, na Zona Oeste da capital.
Ao comentar a relação com Milton Leite, Tarcísio disse que o ex-vereador não ocupava posição no governo estadual. “Ele [Milton Leite] não tinha nenhuma posição no governo do estado”, afirmou.
O governador declarou que a ausência de indicações políticas foi uma decisão adotada desde o começo da gestão. Também disse ter sido criticado por manter distância da forma tradicional de fazer política. “Eu não faço consulta a partido para colocar pessoas em determinadas posições”, afirmou.
Durante o evento, foram discutidos assuntos relacionados a obras e serviços na região Sul da capital. Entre os temas estavam a Represa de Guarapiranga, a Rodovia Régis Bittencourt, a Estrada do M'Boi Mirim, o saneamento básico e a extensão do trem até Parelheiros. Tarcísio também citou critérios técnicos para as nomeações e mencionou a nova legislação das agências reguladoras.
Investigação contra Milton Leite
Sobre a investigação envolvendo Milton Leite, o governador afirmou que as instituições não devem diferenciar aliados de adversários políticos. Ele disse que fatos e indícios precisam ser apurados e que os envolvidos devem apresentar esclarecimentos, com respeito ao contraditório e à ampla defesa.
Milton Leite compareceu a uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, na tarde desta sexta-feira (18). Ele era procurado por causa de um mandado de prisão temporária relacionado à Operação Vectura Corrupta, realizada na quinta-feira (17). O ex-vereador estava acompanhado de um advogado.
A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investigam uma suspeita de ligação com a atuação do PCC no transporte público da capital. A apuração considera a possibilidade de Milton ter participado diretamente da operação de empresas que estariam sob controle da facção e aponta que ele seria o “dono de fato” da Transwolff.
A investigação também menciona declarações de policiais militares sobre a suposta propriedade da empresa. A defesa da Transwolff afirma que Milton nunca teve participação societária, não participou da gestão e não deu ordens na companhia. Ele havia informado que estava viajando e que retornaria para provar a inocência.



