O ex-presidente Michel Temer disse que conversou com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sugeriu que ele procurasse André Mendonça para tentar conter a crise entre os ministros. Segundo Temer, o contato ocorreu antes de Mendonça determinar o afastamento dos diretores-gerais da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada, nesta terça-feira (8).
Temer indicou Moraes para o STF em 2017. Ele afirmou que falou rapidamente por telefone com o ministro e defendeu que os integrantes da Corte buscassem uma solução interna para o conflito. Não houve conversa com Mendonça.
“Eu sempre estive naquela linha da pacificação, da tranquilização do país”, disse Temer. Na avaliação dele, um entendimento entre os ministros seria preferível a uma decisão litigiosa do Supremo, que, segundo afirmou, seria negativa para o país.
O ex-presidente também declarou que o afastamento da cúpula da Polícia Federal tornou mais difícil uma saída para a crise. “Ficou complicado. Eu reconheço que complicou bastante”, afirmou. Temer disse ainda esperar que os ministros encontrem uma solução de harmonia interna.
Crise no STF
A tensão aumentou depois que André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master no STF, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento revelou conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Na quinta-feira (3), Moraes pediu a Luiz Edson Fachin que analisasse acusações contra Mendonça relacionadas à condução de inquéritos. Conforme Moraes, o ministro teria cometido improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade. Também teria comprometido a imparcialidade judicial e favorecido determinados grupos políticos em casos ligados ao escândalo do INSS e ao Banco Master.
Nesta segunda-feira, foi apresentado o pedido de afastamento de integrantes da cúpula da Polícia Federal.



