A divulgação de um relatório da Polícia Federal colocou no centro do debate as relações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o banqueiro Daniel Vorcaro. O documento também envolve Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e ampliou o conflito público entre Moraes e o ministro André Mendonça.
Mendonça solicitou o relatório em 24 de agosto, com prazo de 72 horas para conclusão. O sigilo foi retirado na manhã de 1º de setembro, quando o material já estava sendo vazado. A medida ocorreu enquanto Vorcaro estava preso desde novembro do ano passado.
Relações e questionamentos
O relatório trata de um contrato de 130 milhões de reais firmado em janeiro de 2024 entre Vorcaro e o escritório da mulher de Moraes. A revisão do contrato pelo ministro também aparece entre as informações divulgadas. Parte de mensagens obtidas pela PF no celular do banqueiro havia sido divulgada em março.
A condução do caso levantou questionamentos sobre os ritos adotados por Mendonça e sobre o momento escolhido para pedir e divulgar o documento. Durante sua passagem pelo Ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro, Mendonça pediu à PF a abertura de inquéritos com base na Lei de Segurança Nacional contra opositores políticos e jornalistas.
Na mesma gestão, o Ministério da Justiça produziu um dossiê sobre 576 servidores e três professores universitários identificados como integrantes do movimento antifascista. O STF determinou a suspensão de atos da pasta relacionados à produção ou ao compartilhamento dessas informações. A ministra Cármen Lúcia classificou a atuação como “uma afronta direta ao regime democrático”.
Moraes, por sua vez, foi indicado ao STF por Michel Temer, de quem era amigo havia mais de 20 anos e ministro da Justiça. Antes da indicação, era filiado ao PSDB e havia integrado o DEM.
Efeito político
A disputa ocorre após a condenação de Jair Bolsonaro, generais e outros réus pela 1a turma do STF, por 4×1, em julgamento transmitido ao vivo. O conflito entre os ministros passou a ser associado ao ambiente eleitoral e às acusações envolvendo a atuação do Supremo.
Também são citados o lobby de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo e a inclusão de Moraes na Lei Magnitsky pelo governo Trump. O episódio reacende questionamentos sobre a influência política das decisões do tribunal e sobre a exposição de seus ministros em disputas ligadas às eleições.
Moraes reagiu recorrendo novamente ao inquérito das Fake News, que está sob seu comando há sete anos. A troca de acusações aumentou a pressão sobre o STF, instituição que teve papel central na resposta ao golpe nas eleições passadas, e deslocou parte do debate eleitoral para suspeitas e conflitos entre integrantes da Corte.




