O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o governo brasileiro de não enfrentar adequadamente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Em um documento enviado ao Congresso americano, ele afirmou que as duas facções transformaram o Brasil em um centro do fluxo global de cocaína.
O documento presidencial foi enviado na terça-feira (15) e divulgado pelo Departamento de Estado na quarta-feira (16). A determinação faz parte da avaliação anual dos Estados Unidos sobre países considerados rotas importantes de trânsito ou produtores de drogas ilícitas, além dos esforços adotados por governos estrangeiros contra o narcotráfico.
Cobrança ao governo brasileiro
Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras designadas pelos Estados Unidos. Também afirmou que os grupos representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo.
No trecho dedicado ao Brasil, o presidente americano disse que outros governos do Hemisfério Ocidental estão adotando medidas para reduzir o fluxo de drogas e combater cartéis, enquanto avaliou de forma diferente a atuação brasileira. Ele cobrou uma mudança de postura e pediu que o governo adote medidas mais agressivas contra as duas facções.
Trump afirmou ainda que o Brasil precisa agir com urgência para enfrentar e derrotar as organizações antes que elas se espalhem e cresçam ainda mais. A declaração levou a política brasileira de combate ao crime organizado para o documento oficial americano sobre narcotráfico e segurança internacional.
A determinação também critica a Nicarágua e aborda, em outras partes, a situação de países da América Latina, além de citar Afeganistão e Mianmar na avaliação sobre o cumprimento de obrigações internacionais de combate às drogas.
A crítica ao Brasil não significa automaticamente que o país tenha sido incluído na categoria específica dos governos considerados pelos Estados Unidos como tendo falhado comprovadamente no cumprimento dessas obrigações. Essa classificação é prevista na legislação americana e integra o processo anual de avaliação.
O documento deve ser submetido ao Congresso dos Estados Unidos com o memorando de justificativa exigido pela legislação americana e, posteriormente, publicado no Diário Oficial do governo federal americano.




