O candidato ao governo de Goiás Wilder Morais (PL) afirmou nesta terça-feira (15) ser contra a instalação de câmeras corporais nas fardas dos policiais. A declaração ocorreu um dia depois de ele dizer que poderia discutir a adoção do equipamento com a Polícia Militar.
Na segunda-feira (14), durante uma sabatina na Rádio Sucesso, Wilder foi questionado sobre o videomonitoramento das ações policiais. Na ocasião, ele não apresentou uma posição definida e disse que conversaria com a corregedoria e com os agentes caso assumisse o governo. Também afirmou que seguiria a decisão da corporação sobre a adoção ou não da medida.
No encerramento de uma sabatina da TV Anhanguera nesta terça-feira, o candidato apresentou posição contrária ao uso das câmeras. Depois, a assessoria de Wilder divulgou uma nota reafirmando esse entendimento.
“Eu confio no policial e por esse motivo acho desnecessário o uso de câmera corporal”, afirmou o candidato. Ele também defendeu que os agentes tenham condições de trabalho e credibilidade.
Decisão judicial e letalidade policial
Entidades ligadas aos direitos humanos e setores da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) defendem o uso de câmeras em uniformes policiais.
Em 2023, uma decisão da Comarca de Anápolis determinou a implantação do monitoramento nos policiais que atuam no município. A medida também previa que o Estado apresentasse um plano para levar o videomonitoramento a outras cidades. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de Goiás reformou a decisão após pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Os dados sobre mortes decorrentes de intervenção policial mostram 611 casos em 2021 e 362 no ano passado. Mesmo com a redução, Goiás tem taxa de 4,9 mortes desse tipo por 100 mil habitantes, acima da média nacional, de 2,9 por 100 mil habitantes.
O estado aparece na 5ª posição nacional entre os estados com maior letalidade policial proporcional.



