A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida como Noia, entre pessoas que usavam medicamentos agonistas de GLP-1 para diabetes e obesidade. A doença é rara, pode causar perda repentina e permanente da visão e costuma ocorrer sem dor.
Os registros envolvem Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro. A agência ainda não confirmou que os medicamentos provocaram os casos. No painel de farmacovigilância, há 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica desde 2018; as outras notificações estão relacionadas a classes diferentes de remédios.
Registros por medicamento
Entre os agonistas de GLP-1, o painel reúne cinco notificações ligadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. Como uma notificação pode citar mais de um medicamento, os registros podem se sobrepor. No total, são 12 relacionados à semaglutida e um à tirzepatida.
A Noia ocorre quando vasos pequenos que levam sangue à parte frontal do nervo óptico são bloqueados. Com menos oxigênio e nutrientes, as células nervosas podem ser afetadas. Desde junho de 2025, a reação aparece na bula dos medicamentos com semaglutida, por determinação da Anvisa, como evento adverso muito raro.
Evidências e orientações
Uma pesquisa publicada na JAMA Ophthalmology avaliou mais de 1,6 mil prontuários e identificou risco de Noia entre quatro e sete vezes maior em pacientes que receberam semaglutida, na comparação com usuários de outros medicamentos. Os autores, porém, apontaram limitações e disseram que os dados não comprovam causa e efeito. Muitos participantes também tinham diabetes, condição que pode aumentar a vulnerabilidade dos vasos e do nervo óptico.
O painel da Anvisa ainda registra 74 notificações de outras alterações visuais em usuários dessas canetas. Visão turva aparece em 37 registros, e comprometimento visual, em 29. Esses dados não equivalem necessariamente ao número de pacientes, porque uma mesma notificação pode conter mais de um sintoma.
A Novo Nordisk informou que uma análise de estudos clínicos, com mais de 83 mil pacientes-ano de observação entre usuários de semaglutida, não apontou aumento de Noia em comparação com placebo. A empresa considera positiva a relação entre benefícios e riscos do medicamento. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, disse que acompanha e comunica às autoridades informações de segurança, incluindo possíveis problemas oftalmológicos.
Quem usa os medicamentos com indicação médica não deve mudar o tratamento sem orientação profissional. Em caso de alteração visual súbita ou recente, é necessário buscar atendimento médico. Se a Noia for diagnosticada, sociedades médicas recomendam suspender o medicamento. Pessoas com diabetes devem manter os exames periódicos da retina. A Anvisa continua analisando as notificações para verificar se existe relação entre os remédios e os casos.



