A Beep Saúde ampliou a atuação no atendimento domiciliar e passou a trabalhar em três frentes: vacinação, análises clínicas e aplicação de medicamentos imunobiológicos. Fundada em 2016, a empresa visita mais de 60 mil domicílios por mês, tem cerca de 1,3 mil funcionários e chegou a 2026 com faturamento superior a R$ 500 milhões.
A operação está concentrada na Grande São Paulo, no Grande Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A estratégia, segundo Vander Corteze, fundador e CEO da Beep, busca aumentar a densidade dos atendimentos e tornar a logística mais eficiente.
Exames e medicamentos
A área de análises clínicas começou a ser ampliada em 2021. Exames de sangue, urina e outros procedimentos feitos na casa do paciente já alcançaram volume semelhante ao da vacinação. Isoladamente, esse segmento fatura centenas de milhões de reais, afirma Corteze.
Os exames são, em grande parte, cobertos por planos de saúde. A Beep atende beneficiários de mais de 40 planos e realiza os procedimentos somente com prescrição. A empresa não oferece telemedicina para emitir pedidos dentro da própria plataforma.
A terceira frente é a aplicação domiciliar de imunobiológicos. Os medicamentos podem ser usados em tratamentos de doenças crônicas, incluindo condições reumatológicas e dermatológicas, com terapias que, em alguns casos, precisam ser repetidas por períodos prolongados. O negócio tem menos de um ano e já supera R$ 50 milhões em receita anual.
A escolha de novos segmentos considera o tamanho do mercado, a margem, a integração com a estrutura existente e a possibilidade de oferecer uma experiência diferente da encontrada em clínicas e laboratórios. Por enquanto, a prioridade é consolidar análises clínicas e infusões.
Crescimento com equilíbrio financeiro
A alta do custo do capital, a partir de 2022, mudou o plano de expansão. A Beep deixou de priorizar o crescimento a qualquer custo e passou a buscar equilíbrio financeiro. O break-even foi alcançado em 2024 e, desde então, a empresa cresce com lucro, de acordo com Corteze.
A companhia também busca evitar dependência excessiva das operadoras de planos de saúde. A vacinação, paga principalmente pelos próprios clientes, ajuda a manter diferentes fontes de receita. Entre as possibilidades avaliadas está um serviço relacionado aos medicamentos da classe dos GLP-1, usados no tratamento da obesidade, mas ainda não há previsão de lançamento.
A Beep mantém equipe própria de enfermagem. Os profissionais passam, em média, um mês em treinamento antes de iniciar os atendimentos. Corteze afirma que o principal desafio está na formação e na retenção dos trabalhadores, e não na disponibilidade de enfermeiros e técnicos.
Outra frente ligada ao executivo é a BR MED, empresa de saúde ocupacional da qual ele é cofundador e principal acionista. Criada em 2008, a companhia atende cerca de 500 mil trabalhadores por ano. Em setembro, inaugurou uma nova clínica no Rio de Janeiro e tem um plano para elevar o faturamento de R$ 130 milhões para R$ 300 milhões até 2028.



