A redução das coberturas vacinais voltou a colocar o sarampo entre as ameaças à saúde coletiva. Embora a imunização tenha diminuído de forma expressiva a ocorrência da doença e permitido avanços no controle da transmissão, a presença de pessoas suscetíveis mantém o risco de novos surtos.
Em 2025, a cobertura global da primeira dose da vacina contra o sarampo foi estimada em 84%, deixando aproximadamente 21 milhões de crianças sem a dose de rotina. A Organização Mundial da Saúde considera o sarampo um sinal de alerta para as falhas de imunidade, por causa da elevada capacidade de transmissão do vírus.
Nas Américas, a cobertura estimada foi de 88% para a primeira dose e de 78% para a segunda. Os índices ficaram abaixo dos 95% necessários para prevenir surtos. A região registrou milhares de casos e mortes relacionadas à doença, com ocorrências no México, no Canadá e nos Estados Unidos.
Situação no Brasil
O Brasil recebeu a certificação de zona livre do sarampo no final de 2024, após eliminar a circulação ativa do vírus no território. Mesmo assim, o Ministério da Saúde registrou 38 casos em 2025, distribuídos em poucos surtos controlados.
No mesmo ano, a cobertura nacional da primeira dose da vacina tríplice viral chegou a aproximadamente 92,9%, enquanto a segunda dose alcançou 78,3%. A desigualdade entre os territórios aparece nos índices de homogeneidade: 64,56% para a primeira dose e 35,24% para a segunda.
Em 2026, foram registrados casos em São Paulo, o que levou o Ministério da Saúde a ampliar as recomendações de vacinação em alguns municípios do estado. A circulação internacional de pessoas pode favorecer a introdução do vírus em comunidades com lacunas de imunidade.
A baixa cobertura não está necessariamente ligada à recusa da vacina. Dificuldades de acesso, horários incompatíveis, problemas de transporte, ausência temporária de imunobiológicos, perda de oportunidades e falhas nos registros também podem deixar pessoas desprotegidas. A hesitação vacinal ainda pode estar relacionada à percepção reduzida do risco, à circulação de informações falsas ou distorcidas, a experiências individuais e à perda de confiança nas instituições.
Equipes de atenção primária podem identificar esquemas incompletos, fazer busca ativa, orientar famílias e reconhecer situações de vulnerabilidade. A análise dos indicadores por território, a vacinação extramuros e a integração entre imunização e vigilância epidemiológica ajudam a localizar falhas e detectar casos suspeitos com rapidez.
A investigação oportuna, a vacinação dos contatos e outras medidas de controle podem impedir que um caso se transforme em um surto de maiores proporções. A imunização dos profissionais de saúde também protege os trabalhadores, reduz o risco de transmissão nos serviços e contribui para a segurança dos usuários.
A prevenção depende não apenas da existência de uma vacina eficaz, mas de acesso no momento adequado, conclusão dos esquemas, registros confiáveis e comunicação clara. Fortalecer a educação permanente das equipes, a busca ativa, os sistemas de informação, a infraestrutura e a disponibilidade de imunobiológicos é necessário para preservar os avanços alcançados contra o sarampo.



