Medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem reduzir a fome e favorecer a perda de peso, mas não substituem alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional. O alerta é do endocrinologista Raphael Del Roio, diretor do Centro de Hiperinsulinismo Congênito do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).
Segundo o especialista, a diminuição do apetite pode facilitar mudanças na quantidade e na frequência das refeições, mas não garante que os hábitos ligados ao controle do peso tenham sido transformados. Para ele, depender apenas das canetas pode levar à necessidade de manter o tratamento por longo período.
Como os medicamentos atuam
A semaglutida age como agonista do receptor de GLP-1. A tirzepatida atua sobre os receptores de GLP-1 e GIP. Essas substâncias interferem nos mecanismos que regulam o apetite. A semaglutida também retarda o esvaziamento do estômago, o que tende a reduzir o consumo de alimentos.
A eficácia da semaglutida foi avaliada em um ensaio clínico com 1.961 adultos com sobrepeso ou obesidade. Os participantes receberam o medicamento ou placebo durante 68 semanas, junto com uma intervenção de estilo de vida. A perda média foi de 14,9% do peso entre os que receberam semaglutida e de 2,4% no grupo placebo.
O que ocorre após a suspensão
Uma extensão do estudo acompanhou 327 participantes por mais um ano depois da interrupção da semaglutida. Nas 68 semanas iniciais, o grupo tratado perdeu, em média, 17,3% do peso corporal. Um ano após a suspensão, recuperou, em média, 11,6 pontos percentuais do peso perdido — aproximadamente dois terços da redução anterior.
O mesmo tipo de resultado foi observado com a tirzepatida no estudo SURMOUNT-4. Pessoas com obesidade que haviam usado o medicamento por 36 semanas foram separadas entre um grupo que continuou o tratamento e outro que recebeu placebo. Nas 52 semanas seguintes, quem interrompeu a tirzepatida apresentou recuperação substancial do peso, enquanto a continuidade manteve a redução.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que os medicamentos à base de GLP-1 sejam usados dentro de um cuidado abrangente. A entidade afirma que alimentação saudável e atividade física devem ser oferecidas junto com os remédios.
A atividade física ajuda a preservar a massa muscular e contribui para o gasto energético durante o emagrecimento. A alimentação deve fornecer nutrientes mesmo quando a redução do apetite diminui a quantidade de comida consumida. Dietas muito restritivas ou da moda após a interrupção do tratamento podem dificultar a manutenção do peso.



