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Saúde

Autointoxicação concentra maioria dos registros de lesão autoprovocada em internações

Levantamento aponta predominância de mulheres e pacientes mais jovens entre as internações com lesão autoprovocada.

Autointoxicação concentra maioria dos registros de lesão autoprovocada em internações

A autointoxicação por medicamentos e drogas foi o mecanismo mais frequente entre os registros de lesão autoprovocada em internações para tratamento de transtornos mentais e comportamentais. O levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, identificou esse mecanismo em 70,0% dos casos no primeiro semestre de 2025 e em 67,7% no mesmo período de 2026.

Entre as internações por saúde mental, 13,3% apresentaram registro de lesão autoprovocada no primeiro semestre de 2025. Foram 14.166 internações, das quais 1.887 tiveram esse tipo de registro. Em 2026, houve cerca de 14,7 mil internações, com 1.841 registros, equivalentes a 12,5% do total.

Perfil dos pacientes

No primeiro semestre de 2026, as mulheres representaram 68,3% dos pacientes com lesão autoprovocada. No conjunto das internações para tratamento de saúde mental, elas correspondiam a 54,0%.

A idade média também foi menor entre os pacientes com esse tipo de registro: 31,3 anos, contra 40,5 anos considerando todas as internações por saúde mental. A participação de crianças e adolescentes de até 17 anos subiu de 13,3% em 2025 para 15,0% em 2026 entre os casos de lesão autoprovocada. No total das internações por saúde mental, essa faixa etária representou 8,6% e 9,4%, respectivamente.

O padrão dos mecanismos variou conforme o grupo. Entre as mulheres, 73,8% das lesões ocorreram por autointoxicação por medicamentos e drogas, ante 58,6% entre os homens. Enforcamento, sufocação ou afogamento corresponderam a 10,1% dos registros masculinos e 3,5% dos femininos.

Entre pacientes de até 17 anos, a autointoxicação foi registrada em 59,8% dos casos. Objetos cortantes ou contundentes apareceram em 17,2% das ocorrências, acima dos 7,9% observados entre adultos de 18 a 59 anos.

Internações e cuidados intensivos

Em 2026, 26,1% dos pacientes internados com registro de lesão autoprovocada precisaram passar pelo CTI, o Centro de Terapia Intensiva. Em 2025, essa proporção foi de 25,2%.

A permanência média no hospital aumentou de 4,1 dias para 4,7 dias entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. O custo assistencial médio passou de R$ 4,8 mil para R$ 5,4 mil.

A mortalidade hospitalar foi de 0,6% em 2025 e 0,8% em 2026. As maiores proporções de óbito apareceram nos registros classificados como queda, impacto e outros mecanismos físicos (3,1%), enforcamento, sufocação ou afogamento (2,4%) e autointoxicação por outras substâncias (1,8%). O levantamento ressalta que os resultados devem ser analisados com cautela, especialmente nos mecanismos menos frequentes.

“Esses códigos não devem ser interpretados isoladamente como tentativa de suicídio, mas identificam uma população vulnerável e que demanda atenção especial das equipes de saúde”, afirmou Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde.

Como os dados foram analisados

O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo e usou dados da Plataforma DRG Brasil referentes aos primeiros semestres de 2025 e 2026. Foram consideradas internações para tratamento de saúde mental aquelas com diagnóstico principal no grupo F00-F99 da CID-10, que reúne transtornos mentais e comportamentais.

Os registros de lesão autoprovocada intencionalmente foram identificados pela presença de código secundário entre X60 e X84. A ocorrência desses códigos não permite, sozinha, classificar todos os episódios como tentativa de suicídio, pois indica a intencionalidade da autoagressão, mas não determina necessariamente a intenção de provocar a própria morte.

O levantamento também diferencia óbitos durante a internação de suicídios concretizados. Para medir suicídios, seria necessária uma base específica de mortalidade capaz de identificar adequadamente a causa da morte.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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