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Saúde

Aplicativo Motherly melhora sono e estresse, mas não reduz depressão pós-parto na média

Ensaio com 264 mulheres avaliou ferramenta baseada em técnicas de terapia cognitivo-comportamental e apontou efeito ligado à adesão.

Aplicativo Motherly melhora sono e estresse, mas não reduz depressão pós-parto na média
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Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) desenvolveram o Motherly, aplicativo criado para apoiar o tratamento da depressão pós-parto. A ferramenta adapta técnicas da terapia cognitivo-comportamental ao ambiente digital e busca ampliar o acesso e a autonomia das pacientes.

Um ensaio clínico randomizado avaliou 264 mulheres com depressão pós-parto em até 12 meses após o parto. As participantes foram divididas entre o grupo que usou o Motherly e um grupo de controle ativo, que realizou atividades no COMVC, aplicativo voltado à psicoeducação e desenvolvido pelos mesmos pesquisadores.

Os resultados não apontaram redução dos sintomas depressivos com o Motherly em comparação ao controle ativo. A ferramenta, porém, apresentou efeitos positivos em resultados secundários, como qualidade do sono, ativação comportamental e estresse parental.

A resposta também variou conforme as características e o uso feito pelas participantes. Mulheres que realizaram mais consultas pediátricas tiveram resposta mais positiva. Já aquelas com mais filhos apresentaram menor benefício, possivelmente pela maior sobrecarga de cuidados. Entre as voluntárias que utilizaram mais o aplicativo, foi observado impacto positivo na depressão.

Como funciona o aplicativo

O Motherly reúne informações sobre exames e consultas do pré-natal e do puerpério, além de conteúdos sobre mudanças biológicas e sentimentos comuns desse período. Seu principal diferencial é a adaptação de técnicas terapêuticas para serem aplicadas na rotina com auxílio do aplicativo.

Uma das estratégias é a ativação comportamental, que ajuda a dividir tarefas complexas em etapas menores e organizar uma rotina. No aplicativo, o conteúdo é apresentado por meio de jornadas, formadas por tutoriais. Depois, os usuários podem organizar metas em uma agenda conforme critérios como dificuldade, relevância e interesse.

A pesquisadora Tatiane Borja afirma que a depressão pós-parto ainda é estigmatizada, em parte pela romantização da maternidade. “Ser mãe é padecer no paraíso, não é socialmente aceito que ela fique doente ou triste”, disse.

Segundo Daniel Fatori, idealizador e desenvolvedor do Motherly, a facilidade de acesso e a privacidade podem ajudar pessoas que evitam procurar atendimento por causa do estigma. A ferramenta também foi pensada como uma alternativa de baixo custo.

Próxima etapa da pesquisa

Os pesquisadores vão desenvolver um novo ensaio clínico associando o aplicativo a uma sessão única de psicoterapia. Nessa etapa, os profissionais deverão ensinar a ativação comportamental e apresentar o Motherly como instrumento para colocar a técnica em prática.

Fatori afirma que o aplicativo não será mais oferecido sozinho porque não foi suficiente para reduzir a depressão na média das participantes. O objetivo será verificar se a orientação profissional aumenta a adesão ao tratamento. O recrutamento para o novo ensaio está com inscrições abertas.

A dissertação que analisou os efeitos do Motherly está disponível no Banco Digital de Teses e Dissertações da USP. O trabalho recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O ensaio clínico também teve apoio da Open Society Foundation e do Centro Nacional de Ciência e Inovação em Saúde Mental.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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