Pesquisadores da Escola de Enfermagem e da Escola Politécnica da USP desenvolveram um simulador de realidade virtual para treinar a identificação do local e a aplicação de injeções intramusculares. A tecnologia reproduz um posto de saúde, apresenta um paciente virtual e usa um manequim físico para que o usuário posicione as mãos durante o procedimento.
O foco atual é a região ventroglútea, formada pelos músculos glúteo médio e mínimo. Considerada uma área mais segura para a aplicação intramuscular, ela é pouco utilizada na prática clínica porque profissionais têm dificuldade para localizar os pontos anatômicos e delimitar o espaço correto. A região dorsoglútea, ainda usada por alguns profissionais, pode causar lesão no nervo ciático.
Regina Célia Diogo, pós-doutoranda da Escola de Enfermagem e primeira autora do estudo, afirma que a região ventroglútea é considerada “padrão-ouro” por ser mais segura, livre de nervos e vasos importantes e menos dolorosa. O trabalho foi publicado na revista Teaching and Learning in Nursing e apresenta o desenvolvimento e uma primeira avaliação da ferramenta.
Como funciona
O aplicativo permite caminhar pelo cenário virtual, tocar no paciente, delimitar a área de aplicação e segurar e posicionar a seringa. Os movimentos são reconhecidos pelo sistema, enquanto a imagem do paciente virtual é alinhada ao manequim físico.
Ainda falta incluir um triângulo que indique ao usuário quando a delimitação foi feita corretamente. O centro dessa marcação será o local adequado para a aplicação do medicamento, conforme a técnica ensinada.
A realidade virtual permite repetir o treinamento sem utilizar seringas, agulhas e luvas descartáveis. A ferramenta também pode ser usada fora do laboratório, desde que o aluno tenha óculos de realidade virtual. O simulador foi planejado como complemento às aulas práticas presenciais e às atividades clínicas, não como substituto.
O projeto é um estudo metodológico de desenvolvimento de uma ferramenta educativa digital em cinco etapas: análise, planejamento, conceituação, modelagem, implementação e avaliação. A Escola Politécnica participou da modelagem e do desenvolvimento tecnológico.
Próximas etapas
A equipe pretende incorporar ao simulador todo o check-list usado pela Escola de Enfermagem, incluindo interação inicial, preparo, aplicação e descarte da seringa. No momento, o trabalho está concentrado na delimitação da região de aplicação.
Entre as limitações estão a ausência de sensação de toque no paciente virtual e as dificuldades para alinhar o manequim à imagem digital. Também é necessário aprimorar a triangulação entre o manequim, o paciente virtual e as mãos do usuário.
O projeto está na fase de avaliação de protótipos, com demonstrações e coleta de sugestões e críticas. Depois, a ferramenta será testada por profissionais e estudantes de graduação da área da saúde. A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e integra o projeto de pós-doutorado de Regina Célia Diogo.



