O Hcor foi habilitado pelo Ministério da Saúde para iniciar os programas de transplante hepático e de transplante de medula óssea, também chamado de transplante de células progenitoras hematopoéticas. Os primeiros procedimentos estão previstos para 2026, com ampliação gradual da capacidade de atendimento.
A nova frente amplia a atuação do Hcor para áreas além da Cardiologia. Nesta etapa inicial, os programas atenderão pacientes da saúde suplementar e particulares. No transplante hepático, a previsão é realizar cerca de seis procedimentos em 2026 e chegar, em 2027, a uma média inicial de dois transplantes por mês. A capacidade deve crescer gradualmente até aproximadamente 60 procedimentos anuais. No programa de medula óssea, a instituição poderá realizar até 10 transplantes por mês.
“Os transplantes hepático e de medula óssea reúnem alguns dos maiores desafios da medicina moderna”, afirma Alexandre Biasi, superintendente Médico, de Ensino e Pesquisa do Hcor. Segundo ele, as habilitações ampliam a capacidade de atendimento a pessoas com doenças hepáticas avançadas e afecções hematológicas graves.
Estrutura para os novos programas
A equipe responsável pelos transplantes hepáticos já realizou mais de 600 procedimentos desde 2012. A experiência inclui protocolos para diferentes etapas do cuidado, desde a avaliação para inclusão em lista até o acompanhamento ambulatorial após o procedimento.
O programa de transplante de medula óssea conta com cerca de 30 especialistas e está estruturado para realizar transplantes autólogos, alogênicos aparentados — haploidênticos e HLA idênticos — e alogênicos não aparentados.
Em janeiro de 2026, o Hcor inaugurou uma unidade dedicada ao transplante de medula óssea, com investimento de R$ 10,3 milhões. O espaço tem 10 leitos, com sistemas de pressão positiva e negativa e filtros especializados no ar-condicionado para proteger pacientes imunodeprimidos. A estrutura segue as diretrizes da Anvisa e do Ministério da Saúde.
A expansão ocorre em um cenário de aumento da mortalidade por doenças hepáticas no Brasil. Um estudo publicado em 2024 na revista The Lancet Regional Health – Américas apontou que essas condições responderam por cerca de 3% das mortes registradas no país em 2020, o equivalente a um em cada 33 óbitos. Entre as doenças estão câncer de fígado, doença hepática relacionada ao álcool, cirrose e fibrose hepática, insuficiência hepática e hepatites virais crônicas.
Na área hematológica, a Estimativa 2026 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê 12.220 novos casos de leucemia no Brasil neste ano. Em 2023, a doença provocou 7.435 mortes no país. O linfoma não Hodgkin, uma das doenças que podem levar ao transplante, foi responsável por 4.860 óbitos no mesmo ano, segundo o INCA.




