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As histórias e o humor que marcaram a trajetória de Zuenir Ventura

Jornalista, escritor e integrante da Academia Brasileira de Letras, Zuenir também era conhecido pela habilidade de contar histórias e fazer graça.

As histórias e o humor que marcaram a trajetória de Zuenir Ventura

Zuenir Ventura ficou conhecido não apenas pelo trabalho como jornalista e escritor, mas também pelo humor e pela habilidade de transformar situações cotidianas em histórias. O autor morreu esta semana, aos 95 anos, no Rio de Janeiro.

Colegas que conviveram com ele destacaram sua doçura, paciência e disposição para ajudar e ensinar. Muitos o chamavam de Mestre Zu. Nas redes sociais, no rádio, nos jornais e na TV, jornalistas se despediram do autor de 1968: o Ano que Não Terminou.

Um de seus parceiros mais frequentes nas brincadeiras era Luís Fernando Veríssimo. Os dois dividiram palcos e mesas em eventos culturais, festas e jantares. Zuenir contava que a dupla costumava repetir a mesma anedota em lugares diferentes, trocando apenas o protagonista.

Histórias de escritores e leitores

Paraty e a Flip apareciam com frequência nos relatos de Zuenir. Em uma das histórias, uma jovem pediu um autógrafo e, ao ser questionada sobre qual livro dele mais gostava, respondeu “O Menino Maluquinho”. Para não desfazer a confusão com Ziraldo, Zuenir escreveu uma dedicatória e assinou apenas com a inicial do nome.

Em outra ocasião, contou que viu Ziraldo ser aplaudido por 20 mil pessoas no Maracanãzinho, durante a apresentação do cartunista como jurado do Festival Internacional da Canção. Depois, brincou com o amigo dizendo que havia visto um homem vaiando-o.

Zuenir também fazia piada com a semelhança física que dizia ter com Millôr Fernandes, Drauzio Varella e José Saramago. Em uma das versões do relato, um grupo de leitoras o elogiava e pedia uma foto, até que uma delas chamou outra mulher para conhecer Saramago.

A falsa notícia de morte

O humor apareceu até em 1999, quando Zuenir foi vítima de uma notícia falsa sobre sua morte. Um jovem repórter ligou para um número antigo e recebeu de uma mulher a informação inventada de que o jornalista havia morrido em um acidente na Lagoa Rodrigo de Freitas.

A notícia se espalhou enquanto Zuenir participava de uma cerimônia no Instituto Moreira Salles, com a presença de Fernando Henrique Cardoso, então Presidente da República. O evento era vedado à imprensa. Do lado de fora, jornalistas aguardavam para confirmar a informação.

“Lá pelas 9 horas da noite — eu tinha morrido às 16h — a imprensa descobriu que eu estava no IMS e não no IML”, contou Zuenir em uma coluna publicada dias depois. Ele também escreveu que, já de madrugada, encontrou no computador uma descrição tão precisa da própria morte que pensou que ela devia ser verdadeira.

Além do humor e das histórias, Zuenir deixou trabalhos sobre violência urbana, desrespeito à democracia e desigualdade social. Escreveu Chico Mendes: Crime e Castigo e Cidade Partida, recebeu prêmios e reconhecimentos como jornalista, escritor e defensor dos direitos humanos. Desde 2015, ocupava a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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