A empresa de tecnologia Paladium Corp, atualmente chamada de Pax IA, foi questionada por órgãos de controle em São Paulo, Goiás e Paraná. As dúvidas envolvem a contratação sem licitação e os riscos no tratamento de dados pessoais e biométricos usados em sistemas de videomonitoramento.
Em São Paulo, o acordo de R$ 476 milhões ligado ao programa Muralha Paulista foi encerrado em junho deste ano, depois de apontamentos do Tribunal de Contas do Estado. Em Goiás, um contrato de R$ 183 milhões foi suspenso por liminar e retomado em agosto, após recurso da empresa.
Questionamentos em Goiás
O Ministério Público de Goiás entrou com uma ação civil pública contra a Paladium e a estatal GoTech, antiga GoiásTelecom. O órgão apontou preocupação com a operação, o processamento e o tratamento de dados sensíveis da população goiana por uma empresa privada.
O projeto previa ampliar de pouco mais de 400 para quase 5 mil câmeras, distribuídas por 194 cidades. A tecnologia faria identificação de placas, reconhecimento facial e cruzamento de dados biométricos.
A promotora Leila Maria de Oliveira afirmou que os contratos mantinham com a Paladium a propriedade da tecnologia, dos algoritmos, do código-fonte e de outros ativos usados no projeto. Para ela, isso poderia deixar os dados sob responsabilidade privada, sem controle estatal efetivo, além de criar dependência tecnológica em caso de rescisão ou falta de pagamento.
A ação também questionou a participação da Paladium Holdings LLC, sediada em Wilmington, Delaware, nos Estados Unidos. A empresa foi registrada no Brasil como investidora.
A Pax IA afirmou que a estatal é responsável pelo armazenamento e pela governança dos dados e que atua apenas como operadora, seguindo as determinações do poder público. A empresa disse ainda que os dados são armazenados no Brasil e que o reconhecimento facial é restrito à localização de pessoas com mandado de prisão em aberto e de pessoas desaparecidas.
O governo de Goiás declarou que os dados serão armazenados no Brasil e que os acessos serão monitorados. Segundo a administração estadual, os dados brutos são descartados após 15 dias.
São Paulo e Paraná
Em São Paulo, a contratação ocorreu por meio da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, a Prodesp, que subcontratou a Paladium. O Tribunal de Contas do Estado apontou que o plano de negócios era genérico e não detalhava a divisão dos recursos nem os critérios técnicos usados para defini-la.
O acordo foi cancelado em 11 de junho por meio de uma rescisão amigável. Depois disso, o processo foi arquivado pelo tribunal. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que o cancelamento não gerou ônus para a pasta.
No Paraná, o Tribunal de Contas suspendeu um pregão eletrônico para aprimorar o programa Olho Vivo. Entre os pontos citados estava o risco no tratamento de dados pessoais sensíveis da população paranaense. A empresa participava de uma das etapas do projeto, mas não disputou diretamente o pregão.
O governo do Paraná informou que responde aos questionamentos relacionados à licitação para ampliar o programa, que prevê a compra de aproximadamente 20 mil novas câmeras.
A Paladium foi fundada em julho de 2024 com capital social de R$ 20. De acordo com dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo, o capital chegou a R$ 212 milhões após a entrada da Paladium Holdings LLC, aportes de empresas de tecnologia dos Estados Unidos e contratos firmados no Brasil. Em novembro e dezembro de 2025, houve aportes de R$ 38 milhões e R$ 50 milhões. Em janeiro de 2026, o capital alcançou R$ 140,2 milhões.



