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Como as gigantes de tecnologia pressionam governos e leis pelo mundo

Investigação identificou quase 3 mil ações de lobby e detalhou estratégias usadas por empresas como Meta, Google, Amazon, Microsoft e Apple.

As maiores empresas de tecnologia ampliaram sua atuação para influenciar governos, parlamentos e regras públicas em diferentes países. Uma investigação transnacional identificou quase 3 mil ações de lobby atribuídas a essas companhias e reuniu informações sobre processos judiciais e projetos de lei ligados ao setor.

O levantamento envolve Meta, Alphabet, Amazon, Microsoft e Apple, grupo conhecido como Big Five. Também aparecem ByteDance, Mercado Livre e OpenAI. A Meta controla Facebook, WhatsApp e Instagram; a Alphabet é dona do Google; e a ByteDance controla o TikTok.

Dinheiro e acesso a governos

Na União Europeia, as empresas de tecnologia formam o setor que mais investe em lobby entre os grupos obrigados a declarar seus gastos. Em 2024, foram 67 milhões de euros, alta de 57% desde 2020. Nos Estados Unidos, o gasto chegou a 61 milhões de dólares no mesmo ano, crescimento de 13% em relação a 2023.

Durante a cerimônia de posse de Trump, Amazon, Meta, Google e Microsoft doaram 1 milhão de dólares cada ao comitê responsável pelo evento. Os principais executivos das empresas também participaram da cerimônia.

O poder financeiro das companhias ajuda a dimensionar sua capacidade de atuação. A Alphabet registrou receita de 350 bilhões de dólares em 2024, valor próximo ao Produto Interno Bruto do Chile, três vezes o do Equador e dez vezes o de El Salvador. A Meta teve receita de 164 bilhões de dólares no mesmo ano, mais de três vezes a produção econômica do Paraguai. A Amazon registrou quase 638 bilhões de dólares, montante equivalente ao PIB da Argentina e a um terço do PIB brasileiro.

Redes de influência

Em países da América Latina e do Sul Global, incluindo o Brasil, o lobby não é regulamentado. Isso dificulta o registro dessas ações e a avaliação de seus efeitos sobre as regras aprovadas pelos parlamentos.

As empresas mantêm departamentos chamados de relações governamentais ou assuntos públicos. Essas equipes podem contratar escritórios de advocacia e associações empresariais, além de organizar reuniões privadas, encontros e jantares com autoridades. Também constroem alianças por meio do acesso às próprias tecnologias.

A definição da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico inclui ações dirigidas a funcionários públicos, à mídia ou ao público em geral para promover interesses ligados a decisões públicas e processos eleitorais. As estratégias também podem envolver campanhas de opinião, financiamento de institutos e apoio à produção de conhecimento científico.

A Repórteres Sem Fronteiras afirmou que a influência das grandes empresas de tecnologia alcança decisões que afetam o futuro do jornalismo. Para a organização, o lobby contra legislações e os esforços para evitar uma remuneração justa pelo conteúdo jornalístico ampliam o desequilíbrio entre plataformas digitais e sociedades democráticas.

Artur Romeu, diretor da RSF América Latina, assinou o comunicado. O documento alerta que, se os legisladores cederem à pressão das empresas, o jornalismo e o acesso dos cidadãos a informações confiáveis podem ser afetados.

O que será investigado

O projeto prevê três séries sobre a atuação dessas corporações. Os temas incluem a tentativa de moldar leis e regulações, ações judiciais contra governos e operações de influência voltadas a evitar regras sobre impactos sociais e políticos. As séries também abordarão a influência no debate sobre informação pública e os efeitos ambientais dos datacenters.

A investigação foi conduzida por organizações de diferentes países, com apoio da Repórteres Sem Fronteiras e da equipe jurídica El Veinte. As entidades participantes também informaram financiamentos recebidos de empresas de tecnologia no presente ou no passado.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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