SALVADOR — O centro de Salvador passou por uma mudança brusca durante a chuva. O que começou como um período de silêncio e imobilidade terminou com vento forte, poeira, lixo espalhado, folhas empurradas e ruas inundadas.
Antes da chuva, uma árvore permanecia parada, apesar de seus galhos cheios de folhas. Pássaros inquietos se escondiam entre eles. O vento parecia ausente, assim como o movimento das pessoas. Pouco depois, surgiu de repente e se espalhou pela cidade, alterando a paisagem observada da janela de uma casa.
A chuva grossa escureceu as fachadas dos prédios e ocupou as ruas com um som contínuo. Quem acompanhava a cena da janela também acabou molhado. A roupa encharcada trouxe frio ao corpo e uma lembrança: a velha camisa, antes branca, estampada com o protagonista do livro “Uma Confraria de Tolos”, de John Kennedy Toole.
O peixe-leão na lembrança
Enquanto se secava e trocava de blusa, o morador lembrou do peixe-leão capturado por pescadores no Porto da Barra. A espécie tem pequeno porte, longas nadadeiras em forma de leque e listras em vermelho, marrom, branco e preto.
Apesar da aparência inofensiva, seus espinhos continuam venenosos mesmo depois da morte, e a recomendação é não tocar diretamente no animal. O peixe-leão não costuma atacar pessoas. Originário do oceano Indo-Pacífico, vem aparecendo na Bahia desde ano passado e é descrito como uma espécie exótica e invasora, com ameaça à biodiversidade.
Depois da troca de roupa, o ambiente doméstico voltou a transmitir conforto e tranquilidade. Salvador ficou silenciosa enquanto a chuva diminuía. A observação do tempo levou a uma sensação de proteção e introspecção, acompanhada pelo desejo de tomar café e ler.
A chuva fina continuou caindo quando surgiu a reflexão sobre a velocidade das mudanças: embora tudo parecesse calmo, um Super El Niño se aproximava com efeito devastador sobre todos.



