A ação preferencial PNA da Braskem (BRKM5) teve o volume médio diário de negociações reduzido quase pela metade na B3 após a empresa deixar o Ibovespa. A saída ocorreu depois que a petroquímica entrou em recuperação extrajudicial. No mesmo período, o papel passou a registrar maior volatilidade, mas acumula alta de 22,7% e era cotado a R$ 4,32.
Desde 26 de agosto até o fechamento de ontem, a ação registrou média diária de 4,9 mil negócios e R$ 22,03 milhões em volume financeiro. Antes da saída do índice, no início de agosto, eram 8,106 mil negócios e R$ 38,07 milhões. Em julho e junho, as médias foram de 8 mil e 14,5 mil negócios, com giros financeiros de R$ 38,79 milhões e R$ 82,05 milhões.
A ação chegou a subir 15,9% em um dia e recuar 12,9% em outro. Para Welliam Wang, gestor de renda variável da AZ Quest, a Braskem deixou de ser analisada pelo ciclo petroquímico e passou a ser tratada como uma situação especial, com foco na estrutura de capital e na recuperação.
“O risco agora é binário e jurídico, com diluição pesada no melhor cenário e quase eliminação do acionista numa recuperação judicial”, afirmou Wang. A empresa tem US$ 10,9 bilhões em dívida, segundo a avaliação do gestor.
Recomendação do UBS BB
Na semana passada, o UBS BB reduziu a recomendação para as ações PNA de neutra para venda. O banco também cortou o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 3,75 e estima potencial de queda de quase 30%.
Os analistas Tasso Vasconcellos e João Barichello afirmam que a alta do petróleo e mudanças na capacidade de produção da China favoreceram a ação em alguns momentos, mas o efeito foi limitado. Para o banco, os spreads devem permanecer em níveis de ciclo baixo até mais adiante na década, enquanto o endividamento e a reestruturação seguem pressionando o papel.
Uma das possibilidades avaliadas é a combinação de conversão de dívida em capital, redução do valor devido e injeção de recursos. Apenas a conversão de dívida e o aumento de capital poderiam provocar diluição de 70-95% para acionistas minoritários, segundo o UBS BB.
Negociação com credores
A recuperação extrajudicial congelou as cobranças por 90 dias enquanto a Braskem tenta obter adesão de mais de 50% dos credores a um plano definitivo. A proposta da companhia foi rejeitada, e os credores exigem um compromisso da Petrobras.
Wang afirma que a estatal ainda avalia uma possível ajuda, sem definir valor ou prazo. Para ele, sem esse aporte, não há maioria para aprovar o plano. O gestor considera que o cenário-base é a conversão da recuperação extrajudicial em judicial.
Os credores podem encerrar o acordo a partir de 9 de outubro. O prazo final é novembro. Na última segunda-feira (21), detentores de títulos emitidos no exterior exigiram um aporte de US$ 3 bilhões da Petrobras em dois anos.
A Braskem deve realizar uma reunião de conselho nesta sexta-feira (25) para aprovar e formalizar a rejeição dessa proposta.


