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Economia

Braskem negocia dívidas de US$ 10,9 bilhões e expõe acionistas à diluição

Recuperação extrajudicial prevê negociação com credores, possível conversão de dívida em ações e apoio comercial da Petrobras.

Braskem negocia dívidas de US$ 10,9 bilhões e expõe acionistas à diluição
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A Braskem entrou em recuperação extrajudicial no fim de agosto para renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas. A petroquímica tem 90 dias para apresentar e aprovar um plano com os credores, enquanto os acionistas minoritários enfrentam o risco de diluição caso parte dos débitos seja convertida em ações.

A aprovação dependerá de credores que representem mais da metade dos créditos afetados. Durante o prazo de negociação, a companhia terá proteção contra execuções judiciais e cobranças relacionadas às dívidas incluídas no processo.

Entre as medidas em discussão estão o alongamento dos vencimentos e a capitalização de juros, mecanismo conhecido como Payment-in-Kind (PIK). Nesse modelo, os juros são incorporados ao saldo devedor em vez de serem pagos em dinheiro. O plano também pode incluir aporte dos principais acionistas e uma garantia de capital, chamada backstop, caso a empresa não alcance determinadas métricas financeiras.

Possível diluição dos acionistas

Cláudio Santos, sócio da Galeazzi, afirma que o acionista minoritário não participa da negociação do plano. “Ele não vota, não é credor e não tem nenhum crédito a receber”, disse. Durante os 90 dias, a Braskem também ficará impedida de distribuir dividendos, recomprar ações e vender ativos relevantes.

O UBS calcula que seriam necessários cerca de US$ 6,4 bilhões em conversão de dívida ou aumento de capital para reduzir a alavancagem da companhia para 3 vezes sobre um Ebitda de US$ 1,5 bilhão. Se a operação ocorresse apenas pela conversão de dívida, o montante corresponderia a cerca de 60% dos US$ 10,9 bilhões reestruturados e poderia provocar diluição de aproximadamente 90% para os minoritários.

Nesse cenário, uma participação de 1% poderia cair para cerca de 0,1% após a emissão de novas ações para credores. O UBS mantém recomendação neutra para a Braskem e preço-alvo de R$ 10,5. João Daronco, da Suno Research, afirma que mesmo uma conversão parcial representaria diluição relevante.

Risco de recuperação judicial

O acordo prevê que, após 45 dias do protocolo, credores que representem mais de 66% dos créditos signatários possam encerrar a reestruturação se estiverem insatisfeitos. Para Welliam Wang, da AZ Quest, a falta de avanço nesse período aumentaria a possibilidade de recuperação judicial, enquanto a empresa se aproxima de um caixa negativo.

A recuperação extrajudicial permite à companhia definir quais dívidas serão reestruturadas. Na recuperação judicial, os créditos previstos na legislação ficam sujeitos ao processo, com maior interferência judicial e poder de negociação dos credores.

Crédito ampliado pela Petrobras

A Braskem também firmou com a Petrobras um contrato que elevou o limite de crédito comercial de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões. O recurso será usado na compra de matérias-primas fornecidas pela estatal, com prazo de até 30 dias para pagamento e validade até 31 de dezembro de 2026.

Segundo Wang, o prazo reduz o alívio de caixa porque a Braskem pode não conseguir utilizar integralmente o limite dentro de um ciclo de 30 dias. A operação ainda inclui garantias e condições para a Petrobras, o que limita o risco da estatal e também o benefício financeiro para a petroquímica.

Avaliação antes de investir

Desde o final de 2025, as ações da Braskem recuaram 39% na B3, de R$ 7,89 em dezembro para R$ 4,8. Em 41 sessões em 2026, o papel teve variação diária superior a 5%.

Nicole Berto, do Instituto Empresa, alerta que considerar apenas a queda da ação pode levar a uma armadilha de valor, quando o investidor interpreta a desvalorização como oportunidade automática. Para Mário Machado, da InvestSmart, o preço atual reflete mais uma aposta no resultado da negociação com credores do que uma avaliação do negócio.

A recomendação é definir o tamanho da exposição, considerar o impacto de uma eventual perda total, estabelecer um horizonte de investimento e ter clareza sobre a tese adotada. As negociações devem seguir até o fim do ano, e o tamanho da possível diluição só ficará conhecido depois do acordo com os credores.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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