A carteira 10SIM do BTG Pactual (BPAC11) foi mantida sem alterações para outubro e vai atravessar os dois turnos da eleição presidencial. Pelas regras do portfólio, não são feitos ajustes dentro do mês. A estratégia busca equilibrar a exposição para diferentes cenários eleitorais.
Os analistas Carlos Sequeira, Leonardo Correa, Antonio Junqueira, Osni Carfi, Bruno Ferreira, Marcel Zambello e Bruno Carrenho avaliam que os juros de longo prazo e as ações já incorporam uma parcela relevante do risco fiscal, enquanto o real ainda não refletiu esse risco na mesma medida.
Na avaliação do banco, ações sensíveis aos juros de longo prazo e ao câmbio podem apresentar os melhores retornos tanto em um cenário favorável quanto em um cenário adverso para esses ativos. O BTG considera que as chances favorecem a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, embora o potencial de alta seja maior que o de queda.
Cenários para o mercado
Em caso de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o banco prevê a possibilidade de medidas mais decisivas para enfrentar desequilíbrios fiscais. Esse cenário poderia provocar uma forte alta do mercado. O relatório estima que as ações poderiam retornar à média histórica de valor, com alta entre 11% e 20% em reais. Se o Ibovespa avançar para um desvio-padrão acima da média, a alta poderia ficar entre 32% e 45%, conforme a janela analisada.
Se Lula for reeleito, o BTG espera uma correção do Ibovespa para 170 mil pontos, aproximadamente 10% abaixo do nível atual. Também projeta desvalorização de 10% a 15% do real, para uma faixa entre 5,7 e 6,0 por dólar. Em dólares, a correção poderia chegar a 20% a 25%, mas o banco avalia que uma queda desse tamanho poderia criar uma oportunidade de compra e limitar a perda adicional.
Composição da carteira
A maior parcela, de 50%, está em Serviços Básicos, Infraestrutura e empresas ligadas a fluxo de caixa de longa duração: Axia (AXIA3), Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSP3), Motiva (MOTV3) e Rede D’Or (RDOR3). O bloco financeiro representa 10%, com Itaú (ITUB4). Embraer (EMBJ3) e Gerdau (GGBR4) somam 20% em posições ligadas ao câmbio.
Petrobras (PETR3; PETR4) representa 15%, em uma combinação de petróleo, câmbio e dividendos. Cury (CURY3) completa a carteira com 5%, em uma posição ligada a dividendos e construtoras de baixa renda. Em outra descrição da composição, Petrobras PN tem peso de 15%; Itaú Unibanco PN, Axia, Sabesp, Rede D’Or, Embraer, Eneva, Gerdau e Motiva têm 10% cada; e Cury fica com 5%.
O BTG afirma que, com juros longos mais baixos, os blocos de Serviços Básicos, Infraestrutura, financeiro e construtoras, que representam 65% do portfólio, tendem a se beneficiar. Em uma piora do cenário, câmbio e Petrobras, com 35%, funcionariam como proteção.
Teses para as empresas
O banco estima para a Petrobras retorno de fluxo de caixa ao acionista de cerca de 14% para 2027 e retorno de dividendos de aproximadamente 11% no cenário-base. Para a Embraer, destaca pedidos recentes, margens acima do esperado no segundo trimestre e expectativa de forte desempenho no segundo semestre de 2026.
A Motiva é apresentada como uma ação defensiva, com resultados resilientes, projetos já existentes acima de R$ 20 bilhões e Taxa Interna de Retorno real de 11%. Na Axia, o BTG projeta alavancagem abaixo de 3x em 2026 e de 2,1x em 2027, além de retorno médio de dividendos de 10% entre 2027 e 2029 e TIR real de 12,5%. Para a Eneva, o banco cita maior visibilidade após o Leilão de Capacidade e TIR de 10,5%.
Em Sabesp, a instituição prevê continuidade das pressões de custo ao longo de 2026, mas mantém a tese de crescimento de longa duração e aponta TIR de 9,8%. Para Cury, menciona o crédito mais difícil no Minha Casa Minha Vida, a greve na Caixa Econômica Federal (CEF), P/L estimado de 6 vezes para 2027 e retorno de dividendos de 10%.
Rede D’Or é descrita como uma combinação de rentabilidade, fatores de crescimento e valor descontado, negociada perto de 14 vezes o preço sobre lucro estimado para 2027. O Itaú é considerado preparado para qualquer resultado eleitoral, com valuation de 8,2 vezes o preço sobre lucro estimado para 2027. Na Gerdau, cerca de 75% do Ebitda está exposto aos Estados Unidos e cerca de 75% é dolarizado; o relatório cita 3,8 vezes o valor da empresa sobre Ebitda 2027 e retorno total ao acionista de cerca de 10% em 12 meses.



