O CDI teve volatilidade maior que a do S&P 500 em uma análise com 21.146 janelas móveis entre janeiro de 2005 e julho de 2026. O levantamento foi conduzido por Claudia Yoshinaga, Francisco de Castro Junior, Ricardo Rochman e William Eid Junior, professores do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGVcef).
Apresentada nesta terça-feira (15), durante o evento Avenue Connection, a pesquisa calculou volatilidade anual de 8,84% para o CDI. O índice ficou acima do S&P 500, com 7,35%, e do VUSTX, fundo de títulos longos do Tesouro americano, que registrou 6,98%.
O estudo atribui a diferença à variação do real em relação ao dólar. “O CDI não tem risco de crédito nem de mercado relevante em reais, mas carrega o risco cambial por inteiro”, afirma a pesquisa.
William Eid explicou que o período escolhido incluiu fases favoráveis e desfavoráveis para o S&P 500. Já o Ibovespa apresentou a maior volatilidade entre os ativos analisados, de 15,44%. De acordo com o levantamento, a oscilação da Bolsa brasileira se soma à do câmbio.
Retornos ajustados ao dólar
A pesquisa também comparou os retornos anualizados em dólar, em termos reais, do S&P 500, VUSTX, Ibovespa, CDI e IMA-B, formado por títulos públicos brasileiros indexados à inflação. Na relação entre retorno médio e risco, o S&P 500 marcou 1,20; o IMA-B, 0,40; CDI e VUSTX ficaram próximos de 0,20; e o Ibovespa registrou -0,01.
Em 90,09% das janelas, o S&P 500 teve retorno positivo e ganhou poder de compra em dólar. O IMA-B ficou em 61,19%, o CDI em 49,4% e o Ibovespa em 39,24%.
A comparação entre média e mediana mostrou que, nos ativos americanos, a média foi menor que a mediana, influenciada por períodos de crise. Nos ativos brasileiros, ocorreu o contrário: poucas janelas muito favoráveis elevaram a média. No CDI, a média foi de 1,75%, enquanto a mediana ficou em -0,08%.
A pesquisa conclui que a média dos retornos brasileiros foi favorecida por períodos excepcionais, enquanto a mediana representa um resultado típico menos favorável.



