Uma renda mensal de R$ 7 mil na aposentadoria exigiria, nesta simulação, um patrimônio de R$ 1,4 milhão. O cálculo considera uma retirada de 0,5% do valor investido a cada mês, mantendo o restante aplicado para ajudar a compensar inflação, impostos e períodos de juros menores.
A conta não substitui o planejamento individual nem prevê o comportamento futuro dos investimentos. Ela usa como referência o desempenho do CDI entre outubro de 2006 e setembro de 2026. Nesse intervalo, a rentabilidade média equivalente foi estimada em aproximadamente 0,81% ao mês, ou 10,15% ao ano. O histórico, porém, não garante os mesmos resultados no futuro.
Quanto investir conforme a idade
Considerando aportes mensais, nenhum valor aplicado inicialmente e aposentadoria aos 65 anos, o investimento necessário varia bastante conforme o momento em que a pessoa começa:
- aos 20 anos: aproximadamente R$ 150 por mês;
- aos 30 anos: cerca de R$ 400 mensais;
- aos 40 anos: aproximadamente R$ 1.110 por mês;
- aos 50 anos: perto de R$ 3.470 todos os meses.
Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: alcançar R$ 1,4 milhão com a rentabilidade estimada de 0,81% ao mês. A diferença está no período disponível para os juros compostos atuarem. Quem começa aos 20 anos tem 45 anos até a aposentadoria. Aos 50, restam 15 anos.
Os valores dos aportes também não deveriam permanecer congelados durante todo o período. Eles precisam ser reajustados conforme a inflação e, de preferência, acompanhar o crescimento da renda. O mesmo vale para a renda desejada. Se o objetivo for manter o poder de compra equivalente a R$ 7 mil de hoje, esse valor terá de ser atualizado ao longo do tempo.
Previdência pública e planejamento próprio
O cenário demográfico ajuda a explicar por que depender de uma única fonte de renda pode ser arriscado. Segundo o IBGE, a taxa de fecundidade caiu de 2,32 filhos por mulher em 2000 para 1,57 em 2023. No mesmo período, a parcela da população com 60 anos ou mais passou de 8,7% para 15,6%. A projeção é que essa faixa represente 37,8% dos brasileiros em 2070.
Com menos pessoas entrando no mercado de trabalho e contribuindo, e mais pessoas recebendo aposentadoria por mais tempo, as regras da Previdência podem ser revistas. Não há definição sobre se haverá uma nova reforma, quando ela ocorreria ou quais normas seriam alteradas.
O planejamento, portanto, pode considerar o INSS como uma fonte de renda, mas não necessariamente como a única. Se a Previdência pública oferecer uma aposentadoria confortável no futuro, o patrimônio acumulado poderá complementar os pagamentos. Caso contrário, ele poderá ajudar a preservar a renda.
Começar mais cedo reduz o valor necessário em cada mês, embora os aportes devam crescer ao longo da vida. Os juros compostos dependem do tempo para produzir efeito e não eliminam a necessidade de disciplina, reajustes e acompanhamento do plano.



