O Citi projeta que o mercado de cerveja no Brasil volte a crescer no terceiro trimestre de 2026, com alta de cerca de 3% nos volumes em relação ao mesmo período do último ano. Para a Ambev, a estimativa é de avanço de aproximadamente 5,5%, acima da média prevista para o setor.
A recuperação deve se concentrar em julho e agosto, favorecida pelo clima e pela demanda relacionada ao futebol. O banco também considera que a base de comparação será mais fácil. Em setembro, porém, temperaturas mais baixas e chuvas mais fortes, sobretudo no Sul e no Sudeste, podem reduzir o ritmo.
A previsão para a indústria representa uma reversão ante a queda de aproximadamente 1,4% registrada no segundo trimestre de 2026. Para a Ambev, os analistas Renata Cabral e Luis Felipe Terzariol estimam crescimento próximo de 5,5% no terceiro trimestre, depois de uma alta de 5,0% no segundo trimestre.
Receita e custos
O Citi relaciona o desempenho superior da Ambev à continuidade dos ganhos de participação e ao resultado mais forte em bares, restaurantes e outros estabelecimentos. O banco também considera um efeito de momento nas vendas aos pontos de venda: parte do consumo ligado ao futebol no início do terceiro trimestre teria sido abastecida em junho.
A instituição mantém a projeção de preços próximos da inflação, complementados pelo mix de produtos. As leituras mais recentes indicam inflação de cerveja de cerca de 5,5% no consumo em casa e de aproximadamente 4,0% fora de casa.
Com a combinação de preços e volumes, o Citi avalia que a receita de cerveja no Brasil deve melhorar de forma considerável no terceiro trimestre de 2026. Também é esperado um alívio gradual na pressão dos custos dos produtos vendidos no segundo semestre de 2026. Para o ano, a faixa projetada de crescimento do custo por hectolitro em caixa é de 4,5% a 7,5%.
A melhora do Ebitda, no entanto, deve ser moderada. O banco prevê uma comparação mais difícil nas despesas operacionais, após um segundo semestre de 2025 com provisões menores de remuneração variável e custos de distribuição mais baixos. Vendas e marketing também devem continuar elevados por causa de campanhas ligadas ao futebol entre o segundo e o terceiro trimestres.
O Citi mantém recomendação neutra para as ações da Ambev e preço-alvo de R$ 16,50, com potencial de valorização de 8,6% ante o último fechamento.


