A construção civil de Minas Gerais cresceu 0,3% no segundo trimestre de 2026, considerando os meses de abril, maio e junho na comparação com os três primeiros meses do ano. Mesmo com o avanço, o setor acumulou retração de 2,6% no primeiro semestre no estado.
Os dados fazem parte do Boletim Setorial da Construção, elaborado pela gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). No Brasil, o movimento foi diferente: houve queda de 0,4% no segundo trimestre, enquanto o resultado nacional do primeiro semestre indicou crescimento de cerca de 1%.
Empregos e segmentos
O mercado de trabalho apresentou melhora em Minas Gerais. De janeiro a julho deste ano, o saldo de empregos na construção chegou a 21,6 mil vagas, ante 20,7 mil no mesmo período de 2025. O aumento foi de aproximadamente 4%.
As obras de infraestrutura concentraram o principal resultado positivo. O saldo de postos nesse segmento passou de 7,3 mil para 11,3 mil, crescimento de mais de 55%. Já a construção de edifícios teve redução de cerca de 70% no saldo acumulado.
As vendas de materiais de construção recuaram quase 2% no estado no acumulado do ano, acima da queda de 0,8% registrada no Brasil. No mesmo período, o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), subiu cerca de 6,7% em 12 meses até junho.
Para João Gabriel Pio, economista-chefe da Fiemg, a atividade apresentou melhora recente, mas ainda não conseguiu compensar o desempenho negativo acumulado. “A recuperação ocorre de forma gradual”, afirmou.
Segundo a análise do economista, a infraestrutura voltou a crescer a partir do segundo trimestre de 2026, depois de perder força no ano passado. A expectativa é que a construção mineira termine 2026 próxima da estabilidade, com apoio de programas habitacionais e investimentos em infraestrutura.
Pio também avaliou que uma retomada mais consistente depende de condições mais favoráveis de financiamento e da recuperação da demanda privada.



