A Paranapanema concluiu um acordo com credores que extinguiu aproximadamente R$ 3,94 bilhões em dívidas, o equivalente a 92,3% do passivo total de R$ 4,27 bilhões apurado em janeiro deste ano. O saldo remanescente, de R$ 327,4 milhões, será quitado em 36 meses.
A operação envolveu a transferência de cerca de R$ 41 milhões de uma conta vinculada e de R$ 185,3 milhões referentes a saldo judicial. A empresa também fez um pagamento de R$ 100 milhões com recursos da 11ª emissão de debêntures conversíveis.
Segundo a Paranapanema, a transação reduz o endividamento e equaciona uma dívida que comprometeu sua estrutura de capital, liquidez e capacidade de investimento. Com a conclusão, os ativos operacionais e não operacionais da companhia voltam a ficar integralmente disponíveis.
Pagamento do saldo e recuperação judicial
O valor restante será pago exclusivamente com recursos obtidos com a monetização de nove direitos creditórios judiciais da Paranapanema e da controlada CDPC (Centro de Distribuição de Produtos de Cobre). A operação não deverá comprometer o caixa operacional. Ao fim do prazo, a dívida será extinta mesmo que os créditos não tenham sido recebidos integralmente.
A companhia deixou de pagar as parcelas semestrais do Acordo Global a partir de dezembro de 2022 e entrou com pedido de recuperação judicial em 30 de novembro daquele ano. Em dezembro de 2025, tinha patrimônio líquido negativo de R$ 7,5 bilhões. Durante 2026, a administração negociou com 11 credores nacionais e internacionais.
O acordo faz parte de outras iniciativas de desalavancagem realizadas neste ano, que somaram a liquidação de mais de R$ 5,1 bilhões em passivos. Entre elas estão os acordos com o Fundo BS, de R$ 849,7 milhões; AXIA Energia (AXIA3), de R$ 68,1 milhões; e Banrisul (BRSR6), de R$ 48 milhões.
Resultado operacional
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida avançou 18,6% ante o mesmo período de 2025, para R$ 169,2 milhões. O lucro bruto ajustado pela ociosidade subiu 96%, para R$ 30 milhões.
O EBIT passou de negativo em R$ 105,1 milhões para positivo em R$ 47,2 milhões. Já o EBITDA saiu de um resultado negativo de R$ 79,6 milhões para um resultado positivo de R$ 68,9 milhões. Os números incluem a reversão não recorrente de uma provisão para contingência de R$ 100,5 milhões.
Apesar do acordo, a recuperação judicial continua em andamento, e a empresa afirma que a solução integral de sua estrutura de capital ainda envolve desafios.



