A eleição presidencial de 2026 poderá abrir espaço para a redução do prêmio de risco dos ativos brasileiros, dependendo do resultado e das perspectivas para a política fiscal. A avaliação é de Yan Wang, chefe de mercados emergentes e estrategista para a China da Alpine Macro, casa de análise do grupo Oxford Economics.
Wang considera que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, representaria a continuidade das políticas econômicas atuais. Uma vitória da direita, por outro lado, poderia provocar uma queda mais acentuada do prêmio de risco e favorecer os preços dos ativos locais.
Fiscal e Congresso
O estrategista afirma que a eleição será decisiva para saber se o Brasil conseguirá mudar uma combinação de juros reais altos e risco fiscal elevado. Ele também alerta que, independentemente do vencedor, o governo provavelmente não terá maioria confiável no Congresso e precisará negociar uma coalizão ampla.
Na avaliação de Wang, a posição externa do país e a alta das commodities funcionam como proteção diante do estresse fiscal, ao apoiar a arrecadação e as exportações. O economista ressalva que ainda será necessário avaliar se essas condições darão tempo para o Brasil enfrentar seus desequilíbrios fiscais.
A economia brasileira aparece entre os fatores positivos citados pelo estrategista. Depois de um período de acomodação, ela poderá recuperar ritmo com o avanço do processo de queda da inflação e a redução do aperto monetário.
Ativos e câmbio
Um resultado eleitoral visto pelos investidores como favorável à redução do risco fiscal poderia impulsionar os ativos locais, principalmente os títulos públicos de longo prazo.
O real se fortaleceu desde o ponto mais baixo em 2025 e deixou de estar excepcionalmente barato, segundo Wang. Ainda assim, permanece atrás de moedas de países da região, especialmente as de alto rendimento. Para ele, o retorno obtido pela manutenção da moeda brasileira pode oferecer proteção contra quedas.
A Alpine Macro avalia que a combinação entre resiliência econômica, commodities valorizadas e o desfecho eleitoral será determinante para o comportamento dos mercados brasileiros.



