A eleição deve aumentar as oscilações da Bolsa, enquanto as expectativas sobre política fiscal, juros e fluxo estrangeiro já influenciam os preços dos ativos. Para Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora, o mercado começou a se posicionar antes da votação e pode passar por mudanças relevantes em setembro.
Um relatório do Goldman Sachs estima potencial de valorização de aproximadamente 20% para os ativos brasileiros em um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). No Ibovespa, isso equivaleria a algo próximo de 210 mil pontos, acima das máximas históricas. Na hipótese de continuidade do atual governo, a previsão é de queda de aproximadamente 15% nos ativos de risco.
Opções mostram apostas do mercado
A diferença entre os cenários também aparece no mercado de opções. No fim de agosto, o interesse em aberto por calls que apostavam no Ibovespa em 200 mil pontos até novembro passou de aproximadamente 1,1 milhão para 5,6 milhões de contratos em um único dia.
Operadores também identificaram concentração de posições nos strikes de 200 mil e 210 mil pontos, tanto no Ibovespa quanto no EWZ, ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos. Essas opções permitem participar de uma eventual alta sem investir todo o capital no ativo. Se a aposta não se confirmar, a perda fica limitada ao prêmio pago.
Para Gardimam, o movimento indica que investidores estão pagando para se posicionar diante de uma possível reavaliação dos ativos brasileiros depois da eleição. Isso não significa que o mercado saiba qual candidato vencerá, mas que os dois resultados recebem preços muito diferentes.
Fiscal e juros podem alterar os múltiplos
A possibilidade de alta está ligada à expectativa de uma mudança na trajetória fiscal, com melhora na percepção de risco e queda dos juros. O Brasil chega à eleição com a dívida em crescimento e os juros longos elevados, enquanto o mercado espera uma resposta para o desequilíbrio entre receitas e despesas.
Nesse cenário, a Bolsa poderia subir mesmo sem crescimento equivalente nos lucros das empresas. A queda dos juros reduziria o custo de oportunidade, aumentaria o valor presente dos resultados futuros e poderia levar os investidores a aceitar múltiplos maiores.
O movimento contrário também é possível. A continuidade da trajetória fiscal atual manteria os juros longos pressionados e o custo de capital elevado, reduzindo o espaço para uma valorização dos múltiplos. A Bolsa brasileira já negocia a preços considerados baixos, mas isso não impede novas quedas.
No Polymarket, Flávio Bolsonaro vinha sendo negociado perto de 60% de probabilidade implícita de vitória. O mercado de previsão não representa uma pesquisa eleitoral, mas indica que participantes também começaram a posicionar recursos conforme suas expectativas.
A urna ainda não definiu o resultado, mas opções, contratos ligados ao EWZ e possíveis movimentos de investidores estrangeiros mostram que parte do mercado tenta antecipar os efeitos da eleição sobre a Bolsa.



