O empresário Humberto Arthur Tupinambá Neto foi alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto nesta quinta-feira (24). Executivo do mercado financeiro, ele construiu a carreira em bancos de investimento e na área de gestão de crédito.
Tupinambá foi nomeado diretor sem designação específica do Banco Genial S.A. em 2022. A posse ocorreu em 10 de agosto daquele ano, após aprovação do Banco Central, conforme registros públicos.
Antes de chegar ao Genial, ele foi sócio e diretor de crédito do Banco Brasil Plural, onde atuou por seis anos. Também trabalhou por nove anos no Banco Modal.
Relação com empresários investigados
O Ministério Público de São Paulo afirma que Tupinambá, na função de diretor do Genial Investimentos, teria apresentado ao banco os empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco.
Os dois controlavam a Copape e a Áster, empresas que foram alvo da Operação Carbono Oculto em agosto de 2025. As companhias são investigadas por participação em um esquema de sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ainda segundo as investigações, Tupinambá conduziu por vários meses reuniões sobre a transferência de ativos entre o grupo empresarial e o Banco Genial. Ele teria atuado como intermediário e executivo do banco na relação comercial com os empresários.
A investigação aponta que Copape e Áster integravam uma estrutura voltada à redução ou sonegação de impostos e à geração de créditos tributários indevidos, inclusive em operações entre empresas do mesmo grupo. Também são citadas a adulteração de combustíveis e a utilização de empresas de fachada ou registradas em nome de terceiros para ocultar os responsáveis pelos negócios.
A apuração alcança etapas que vão da produção e distribuição de combustíveis a postos, empresas de pagamento e fundos de investimento. A Copape é uma formuladora de combustíveis, enquanto a Áster Petróleo atua na comercialização e distribuição dos produtos. As duas empresas ficam em Guarulhos e, segundo as investigações, passaram a ser controladas por Primo e Beto Louco.
Em agosto de 2026, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra Beto Louco e outras 15 pessoas. Eles são suspeitos de participar de um esquema de desvio de metanol destinado à adulteração de combustíveis em São Paulo. A denúncia também afirma que parte dos acusados já havia sido apontada como integrante do PCC e cita acusações contra Beto Louco por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro para a facção.


