A Fitch Ratings elevou a projeção para o preço do petróleo em 2027, de US$ 65 para US$ 70 por barril, por causa do risco geopolítico associado ao conflito com o Irã. Apesar do aumento, a agência mantém a expectativa de excesso de oferta no mercado global a partir do quarto trimestre de 2026, cenário que deve pressionar os preços.
A previsão para o Brent em 2026 foi mantida em US$ 87 por barril. Em setembro, o petróleo ficou em torno de US$ 100 por barril, em média, depois da retomada das hostilidades e da paralisação do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz. A Fitch espera queda dos preços quando o oleoduto voltar a operar.
A nova estimativa para 2027 considera que um acordo entre Teerã e Washington seria alcançado apenas no primeiro trimestre do próximo ano, com possibilidade de nova escalada, embora provavelmente contida. Mesmo sem um acordo de paz, a agência projeta superávit de petróleo em 2027. Uma solução negociada ampliaria esse excedente.
Produção e demanda
A Fitch calcula que o trânsito de 10 milhões de barris por dia por Ormuz pode continuar mesmo sem um acordo de paz. Com a operação de dois oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, que contornam o estreito, os fluxos poderiam alcançar cerca de 90% do nível pré-guerra.
Em agosto, os Emirados Árabes Unidos produziram o equivalente a 111% do patamar anterior ao conflito. A oferta da Arábia Saudita ficou em 75%. Kuwait e Iraque, que não dispõem de rotas alternativas, recuperaram a produção para 76% e 87%, respectivamente. Os Emirados também constroem um segundo oleoduto para evitar Ormuz, com previsão de dobrar a capacidade alternativa de exportação até meados de 2027.
A produção fora do Oriente Médio deve crescer 1,5 milhão de barris por dia em 2026 e mais 1 milhão em 2027, liderada por EUA, Canadá, Brasil, Argentina e Guiana. A demanda, por outro lado, deve recuar. A Fitch estima redução de cerca de 5 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2026, com a Ásia responsável por quase dois terços da queda. Na China, o recuo foi de 1,5 milhão de barris por dia no período.
Gás europeu
A agência também aumentou as projeções para o Dutch TTF em 2026 e 2027, devido a interrupções nos fluxos de GNL por Ormuz. Antes do conflito, a rota respondia por 20% do fornecimento global.
Os estoques de gás da União Europeia estão em dois terços da capacidade. A Fitch considera esse nível suficiente para evitar interrupções no inverno do Hemisfério Norte, mas inferior aos 80% a 90% registrados no mesmo período entre 2022 e 2025. A previsão para o Henry Hub foi mantida, em razão da capacidade ociosa limitada de liquefação nos Estados Unidos.



